A JP Morgan Chase apresentou resultados do quarto trimestre de 2025 que superaram as expectativas dos analistas, com um lucro por ação ajustado de 5,23 dólares, contra os 5,00 dólares previstos. A receita total atingiu os 46,8 mil milhões de dólares, um aumento de 7% face ao período homólogo, impulsionada sobretudo pela divisão de mercados, onde as receitas cresceram 17%, com destaque para um salto de 40% nas receitas de mercados accionistas, graças aos serviços de prime brokerage. No entanto, as ações da instituição caíram cerca de 2,6% a 3% no dia do anúncio, passando de 324,46 dólares no fecho anterior para 315,93 dólares a meio da sessão, refletindo uma reação de desilusão dos investidores.
Encargos únicos pesam nos lucros
O declínio dos lucros líquidos em 7% face ao ano anterior deveu-se principalmente a um encargo único de 2,2 mil milhões de dólares relacionado com a aquisição do acordo de cartões de crédito Apple, anteriormente gerido pelo Goldman Sachs. Este custo pontual ofuscou os ganhos operacionais e contribuiu para uma perceção de resultados mistos. Apesar disso, o ano completo de 2025 registou um lucro recorde de 57 mil milhões de dólares, próximo do máximo anterior de 58 mil milhões, com a receita anual a crescer 3% para 182,4 mil milhões de dólares. A gestão destacou a solidez da economia norte-americana como fator de suporte, mas os investidores focaram-se nas fraquezas, como taxas de investimento bancário mais baixas do que o esperado e comentários moderados sobre o crescimento de empréstimos e depósitos.
Valorização prévia eleva a fasquia
As ações da JP Morgan valorizaram 35% em 2025, superando amplamente o S&P 500 que subiu 19,67%, o que levou a um rácio preço/lucro de 16 vezes e uma capitalização de mercado de 887,8 mil milhões de dólares. Esta corrida prévia criou expectativas elevadas, com analistas como David Wagner, da Aptus Capital Advisors, a notar que 'a fasquia para a perfeição está muito alta' após um ano tão forte. O volume de transações no dia dos resultados foi inferior à média, sinalizando cautela, numa reação típica de 'vender as notícias' para um título já bastante valorizado. O rácio PEG, que compara o preço/lucro com o crescimento esperado de 4% em 2026, sugere que o título não é uma oportunidade de valor, aumentando o risco de correções em relatórios de resultados.
Perspetivas e recomendações dos analistas
A Evercore ISI manteve a recomendação de 'Outperform' com um objetivo de preço de 350 dólares, notando que a orientação para rendimentos de juros líquidos se alinha com as estimativas da rua. A instituição prevê um aumento para 103 mil milhões de dólares em 2026, acima das expectativas. Apesar da queda inicial, o intervalo diário das ações variou entre 321,11 e 326,86 dólares, dentro do máximo de 52 semanas de 337,25 dólares. Investidores devem considerar o contexto de um setor bancário pressionado, com bancos como Citigroup e Bank of America a enfrentarem dinâmicas semelhantes de valorizações elevadas face ao crescimento projetado.


