As ações da Philip Morris International, cotada na NYSE com o símbolo PM, registaram uma subida de cerca de 7% esta quarta-feira, 22 de abril de 2026, impulsionadas por resultados do primeiro trimestre de 2026 que superaram amplamente as expectativas dos analistas. O lucro por ação ajustado fixou-se em 1,96 dólares, acima do consenso de 1,83 dólares, enquanto as receitas trimestrais atingiram 10,146 mil milhões de dólares, um crescimento de 9,1% face ao período homólogo e acima das previsões do mercado.
Resultados do primeiro trimestre destacam transformação sem fumo
Os produtos sem fumo representaram 43% das receitas líquidas totais no trimestre, com as receitas internacionais deste segmento a crescerem cerca de 25%, suportadas por volumes mais elevados e poder de fixação de preços. O lucro bruto cresceu 10,1% e o rendimento operacional subiu 9,8%, refletindo margens melhoradas e alavancagem operacional, enquanto os volumes de expedição de produtos sem fumo se expandiram, compensando os declínios nos cigarros tradicionais em algumas regiões. O IQOS continua a ser o principal motor de crescimento global, com o produto a ganhar tração em múltiplos mercados como parte de uma estratégia mais alargada de alternativas de risco reduzido.
Fraqueza nos EUA pesa no desempenho global
Apesar do forte desempenho internacional, a Philip Morris reportou um trimestre mais fraco nos Estados Unidos, onde volumes, receitas e lucro recuaram. As expedições de bolsas de nicotina Zyn caíram quase 24%, refletindo uma base de comparação difícil face ao ano anterior e excesso de inventário no final de 2025. O CFO Emmanuel Babeau declarou numa conferência com analistas que "o Zyn Ultra deverá trazer algum momentum renovado à marca nos próximos meses", com a empresa a aguardar aprovação regulatória para este produto de maior concentração, que poderá ser um catalisador adicional para a recuperação do segmento norte-americano. A gestão espera que as condições melhorem na segunda metade do ano à medida que as comparações se tornem mais favoráveis.
Perspetivas para 2026 ligeiramente revistas em baixa
A Philip Morris reduziu modestamente as suas perspetivas para o ano completo de 2026, citando custos de matérias-primas e transportes mais elevados. A empresa prevê agora um lucro por ação ajustado entre 8,36 e 8,51 dólares, ligeiramente abaixo da orientação anterior, e para o segundo trimestre projeta um EPS ajustado entre 2,02 e 2,07 dólares, abaixo das expetativas dos analistas. As tensões geopolíticas no Médio Oriente tiveram um impacto limitado durante o trimestre, principalmente no retalho de viagens e em alguns mercados regionais, mas custos energéticos mais elevados e pressões na cadeia de abastecimento estão a ser incorporados nas perspetivas. Apesar destes ventos contrários, a empresa reiterou a confiança no crescimento de longo prazo do seu portefólio sem fumo, com investimentos contínuos previstos para suportar a expansão e inovação.
Transição equilibrada entre tradição e inovação
A Philip Morris mantém uma presença significativa em cigarros combustíveis nos mercados internacionais, que continuam a financiar a expansão dos produtos sem fumo. Com os produtos sem fumo já a representar 43% das receitas e a estratégia multi-categoria a visar mais de dois terços das receitas líquidas deste segmento até 2030, a empresa demonstra progresso concreto na sua visão de futuro sem fumo. A reação positiva do mercado neste dia reflete a confiança dos investidores na execução desta transformação, mesmo com a pressão pontual nos EUA e a revisão conservadora das perspetivas anuais.


