As ações da Netflix recuaram mais de 9% na negociação em pré-abertura depois de a projeção de receita para o terceiro trimestre ficar abaixo das expectativas e de as tendências de engagement não convencerem os investidores.
A empresa de streaming apresentou resultados trimestrais com lucros acima das estimativas e uma receita praticamente em linha com as previsões no segundo trimestre. A receita avançou 13,4% em termos anuais, para 12,56 biliões de dólares, ligeiramente abaixo do consenso da Bloomberg, que apontava para 12,58 biliões de dólares. Este ritmo representou uma desaceleração face ao crescimento de 16,2% registado no primeiro trimestre deste ano.
O lucro por ação foi de 0,80 dólares, marginalmente acima das expectativas dos analistas, que apontavam para 0,79 dólares, e superior aos 0,73 dólares reportados há um ano.
As ações da Netflix acumulam uma queda de 40% nos últimos 12 meses, com a empresa a reconhecer que "a indústria do entretenimento continua dinâmica e competitiva". A gestão sublinhou que pretende manter-se à frente da concorrência ao focar-se em três eixos principais. Estes passam por oferecer mais valor em entretenimento, usar tecnologia para melhorar todos os aspetos do serviço e reforçar a monetização.
Para o trimestre em curso, a Netflix apontou uma receita de 12,86 biliões de dólares, abaixo das estimativas de Wall Street, que indicavam 13 biliões de dólares. A empresa projeta um lucro por ação de 0,82 dólares, face às previsões dos analistas de 0,84 dólares.
Na perspetiva anual, para 2026, a empresa espera uma receita entre 51 biliões e 51,4 biliões de dólares, intervalo que fica aproximadamente em linha com a faixa anteriormente prevista, de 50,7 biliões a 51,7 biliões de dólares.
Do ponto de vista geográfico, o mercado dos Estados Unidos e Canadá, o maior em receita para a Netflix, registou um crescimento anual de 10% no segundo trimestre, abaixo da evolução média deste segmento nos últimos quatro trimestres. Entre as regiões analisadas, apenas a América Latina apresentou uma aceleração do crescimento face ao trimestre anterior.
Analistas do setor consideram que se verifica um abrandamento da atividade e manifestam dúvidas sobre a capacidade da gestão para explicar de forma clara como pretende revitalizar o negócio. Na leitura destes especialistas, os números apresentados não trazem motivos de entusiasmo.
Horas de visualização em máximos, mas com mensagens de cautela
As horas de visualização, um indicador crucial para plataformas de streaming como a Netflix, ultrapassaram 97 biliões no primeiro semestre, um máximo histórico para a empresa. Este volume representa um crescimento de 2% na primeira metade de 2026, face a uma progressão de 1,5% em 2025, o que foi alcançado "apesar do impacto competitivo dos Jogos Olímpicos de Inverno e do Campeonato do Mundo este ano", segundo a própria companhia.
Questionado sobre o ritmo de evolução das horas de visualização, o co-CEO da Netflix, Greg Peters, afirmou que "nem todas as horas são criadas de forma igual". Peters apontou os eventos em direto como exemplo. Este tipo de programação gera receita e oferece fortes oportunidades de aquisição de novos espectadores, mas traduz-se em menos horas totais de visualização em termos brutos.


