O setor de software norte-americano, pressionado por uma forte correção recente, ensaia uma recuperação, num movimento que coincide com uma perda de fôlego das empresas de semicondutores. Depois de uma subida acentuada que levou o índice Philadelphia SE Semiconductor a máximos históricos no início do mês, os fabricantes de chips registaram uma pausa, abrindo espaço para uma rotação parcial em direção às empresas de software.
O iShares Expanded Tech‑Software Sector ETF avançou 1,1%, atingindo o nível mais elevado desde janeiro. Entre as principais ganhadoras estiveram Workday, ServiceNow e Salesforce, com valorizações entre 3,7% e 4,3%.
As empresas de cibersegurança também acompanharam o movimento positivo. CrowdStrike, Okta, SailPoint e Zscaler registaram ganhos entre 1,2% e 2,5%, sinalizando um apetite renovado dos investidores por nomes ligados à segurança digital.
Estas valorizações sugerem uma possível mudança de sentimento, num momento em que o mercado passa a reavaliar o setor após um ajustamento de valorizações considerado doloroso. Uma recuperação sustentada indicaria que os investidores estão a tornar‑se mais seletivos, distinguindo entre empresas efetivamente expostas ao risco de disrupção pela inteligência artificial e aquelas que podem sair beneficiadas, através de ganhos de produtividade, lançamento de novos produtos e maior procura por parte dos clientes.
Apesar do sinal positivo, a extensão da recuperação ainda poderá ser insuficiente para convencer os céticos. Muitos investidores continuam à espera de provas mais claras de que as empresas de software conseguem defender as suas margens de lucro e modelos de negócio perante a concorrência emergente potenciada pela IA.
Em termos acumulados no ano, a pressão continua evidente. O iShares Expanded Tech‑Software Sector ETF recua 12,2% até ao fecho de segunda‑feira. Em paralelo, o índice de software e serviços do S&P 500 apresenta uma queda de 13,7%, refletindo a dimensão da correção recente no setor.

