Crackdown em IA da Anthropic é visto como favor à China na corrida tecnológica
A administração Trump, com o seu endurecimento contra os modelos de inteligência artificial líderes da Anthropic, está a parecer um presente para o principal adversário do país na corrida da IA: a China[1].
Após um bloqueio de duas semanas devido a uma diretiva de controlo de exportações, a Anthropic foi autorizada pela Casa Branca na sexta-feira a libertar o seu poderoso modelo Mythos 5 para algumas empresas e agências federais, embora o modelo Fable 5 permaneça fora do mercado[1]. A OpenAI, simultaneamente, anunciou na sexta-feira que iria limitar a implementação dos seus modelos GPT 5.6, seguindo uma solicitação governamental[1].
Modelos chineses já igualam capacidades da Anthropic em cibersegurança
Os dois principais desenvolvedores de modelos de IA dos EUA estão em corrida entre si e com gigantes tecnológicas como a Google para desenvolver a tecnologia mais avançada, enquanto o governo dos EUA abre portas para um desenvolvimento rápido de IA, limitando obstáculos regulatórios[1]. Muitos executivos tecnológicos e oficiais da administração Trump afirmam que o contrário restringiria a IA doméstica, beneficiando a China, que está a recuperar rapidamente[1].
Com a Anthropic a aderir às preocupações de segurança nacional do governo dos EUA, as empresas chinesas estão a lançar modelos que rivalizam com laboratórios de ponta em algumas capacidades[1]. Segundo investigadores, o GLM 5.2 da Zhipu, libertado no início deste mês, pode performar em par com os principais laboratórios dos EUA em alguns benchmarks de cibersegurança, igualando até as capacidades do Mythos[1].
"Muitas pessoas inteligentes e especialistas em IA dizem que o GLM-5.2 é o primeiro modelo de IA chinês a igualar e frequentemente superar os modelos de IA pública dos grandes laboratórios americanos sem compromissos", escreveu o venture capitalist Marc Andreessen em uma publicação na X[1].
Empresas americanas migram para modelos chineses mais baratos
Sam Bresnick, investigador de Georgetown, chamou aos recentes desenvolvimentos "um bom alerta", enquanto Christopher Wood, estrategista de Jefferies, afirmou que o GLM 5.2 é quase igual à Anthropic como concorrente para o mercado corporativo e tem apenas um quarto do custo em termos de custo por token[1].
Flo Crivello, CEO da startup de IA Lindy, mudou 100% do tráfego da sua empresa dos modelos Claude da Anthropic para a DeepSeek, uma empresa chinesa que oferece alternativas mais baratas e de peso aberto[1]. "Fizemos isso e podíamos ver a curva de custos descer, como, a cair ao chão", disse Crivello[1].
As empresas chinesas estão a alcançar utilizadores dos EUA com facilidade, pois é simples para uma empresa baixar modelos de peso aberto e executá-los nos seus próprios servidores sem depender de uma cloud de terceiros[1]. "Com os modelos de peso aberto, é como o Oeste Selvagem", disse Travis Lanham, co-fundador da startup de segurança de IA Armadin[1].
Cibersegurança é a principal preocupação dos especialistas
Se as autoridades dos EUA permitirão que isso continue é uma questão emergente nos círculos de política, devido à forma como as duas maiores economias lidam com o hardware sensível de cada uma[1]. O governo dos EUA tem feito grandes esforços para manter a inovação de IA de ponta fora das mãos da China através de controlos de exportação de chips de IA da Nvidia e Advanced Micro Devices[1].
David Sacks, ex-czar de cripto e IA de Trump, escreveu uma publicação criptica na X sobre um título do Wall Street Journal que afirmava que a China igualou a Anthropic em cibersegurança[1]. "Um ano atrás, o Presidente Trump declarou que os EUA estavam em uma corrida global de IA e que a maneira de vencer era ser pró-inovação, pró-infraestrutura, pró-energia e pró-exportação", escreveu Sacks[1].
A cibersegurança é a principal preocupação para muitos especialistas do setor. Alguns modelos de peso aberto já podem automatizar muitas etapas de um ataque cibernético, e Hed Kovetz, CEO da startup Silverfort, preocupa-se que estejam apenas meses de distância de executar uma operação inteira[1].
"Se o governo dos EUA não permitir que o setor aproveite esta oportunidade para se preparar, então quando os modelos chineses atingirem um nível semelhante, ninguém estará preparado", disse Kovetz[1].

