A American Eagle apresentou um trimestre fiscal com desempenhos opostos nas suas duas principais marcas. A Aerie cresceu de forma expressiva, enquanto a bandeira com o nome da empresa voltou a recuar, mesmo após reforçar a campanha com a actriz Sydney Sweeney.
Desempenho em sentidos opostos
Nos três meses terminados a 2 de maio, as vendas comparáveis da marca American Eagle caíram 2%, abaixo da subida de 3,1% que os analistas esperavam, segundo a StreetAccount. Já as vendas comparáveis da Aerie subiram 25%, acima da expectativa de 19,1%.
A receita líquida da marca American Eagle desceu 2%, para 678,4 milhões de dólares, enquanto a receita da Aerie aumentou cerca de 34%, para 480,83 milhões de dólares. Em conjunto, o negócio registou um crescimento de 8% nas vendas comparáveis, ainda assim abaixo dos 8,6% esperados, segundo a StreetAccount.
Resultados acima das expectativas
Apesar da reação negativa do mercado, a empresa apresentou resultados trimestrais acima do previsto. O lucro por ação foi de 14 cêntimos, acima dos 12 cêntimos esperados, e a receita atingiu 1,20 mil milhões de dólares, ligeiramente acima dos 1,19 mil milhões de dólares estimados.
No trimestre, a American Eagle registou um lucro líquido de 23,53 milhões de dólares, ou 14 cêntimos por ação, face a um prejuízo de 64,90 milhões de dólares, ou 36 cêntimos por ação, no mesmo período do ano anterior. As vendas subiram para 1,20 mil milhões de dólares, mais 10% do que os 1,09 mil milhões de dólares registados um ano antes.
Campanha com Sydney Sweeney não travou a quebra
Durante o trimestre, a American Eagle relançou a campanha com a estrela de Euphoria, Sydney Sweeney, antes da época de compras de verão. Desta vez, a abordagem foi mais discreta do que a campanha anterior, conhecida pelo slogan Sydney Sweeney has great jeans. Ainda assim, a empresa afirmou que nenhuma das campanhas trouxe um aumento relevante nas vendas da sua marca principal.
O presidente executivo, Jay Schottenstein, disse que o marketing está a gerar maior envolvimento entre novos e actuais clientes, mas que a empresa vai recalibrar o investimento para procurar um melhor retorno. Já a presidente Jennifer Foyle afirmou que o marketing criou notoriedade e consideração, e que a prioridade agora é a conversão.
Pressão sobre a marca principal
As despesas com vendas, gerais e administrativas, que incluem marketing, aumentaram 11%, para 376 milhões de dólares, em linha com o crescimento das vendas da Aerie, mas menos favorável para a American Eagle. Para a segunda metade do ano, a empresa disse que vai concentrar mais verbas em influenciadores digitais e noutras formas de media digital, por terem maior probabilidade de conversão.
Segundo Foyle, a quebra nas vendas da American Eagle foi sobretudo provocada pelo segmento de bottoms femininos, com a empresa a ter falta de alguns estilos procurados pelas clientes e excesso de outros que não tiveram a mesma saída. A responsável disse que a empresa já está a fazer ajustes e que, com a aproximação da época de regresso às aulas, está a afinar a arquitectura da categoria, optimizando silhuetas e risers e aproveitando a sua capacidade de reposição rápida.
Ao mesmo tempo, a empresa vai aumentar a escala das categorias com maior procura dentro da oferta de tops femininos, de modo a aproveitar melhor o dinamismo do consumo nessa área.
Perspectivas para o ano mantidas
A American Eagle reiterou a orientação anual e apresentou uma previsão para o trimestre em curso. Para o conjunto do ano, espera um crescimento das vendas comparáveis em percentagem de dígito médio simples e uma melhoria da margem bruta.
No segundo trimestre, a empresa prevê um aumento das vendas comparáveis em percentagem de dígito médio a alto simples, acima das estimativas de 6,5% da StreetAccount. A empresa espera, no entanto, que a margem bruta fique abaixo do nível do mesmo período do ano anterior.
Depois da divulgação, as acções desceram mais de 10% nas transacções pós-fecho, reflectindo a desilusão dos investidores com a evolução da marca principal.
Schottenstein afirmou ainda que, apesar das incertezas dos consumidores e da economia, continua confiante na capacidade da empresa para ultrapassar os obstáculos de curto prazo e criar valor a longo prazo para a AEO e para os seus accionistas.


