A Ageas, seguradora com sede na Bélgica, pretende alcançar uma posição no top 10 do mercado de seguros da Índia e está disposta a analisar opções de aquisição quando surgirem oportunidades adequadas, conforme noticiado pelo Times of India.
Este plano segue passos anteriores da seguradora belga, como o aumento da sua participação para mais de 70% numa joint venture de seguros de vida indiana em setembro de 2022 e a compra de uma participação de 40% na Royal Sundaram General Insurance. Estas iniciativas integram a estratégia asiática mais ampla da empresa, que abrange nove mercados e onde o grupo já figura entre os cinco primeiros em vários países.
Em declarações ao Times of India, Hans De Cuyper, administrador executivo principal do grupo Ageas, afirmou que a Índia continua a ser um dos mercados prioritários da companhia, com o foco centrado na expansão das operações atuais em vez de considerar saídas. A Ageas Federal Life ocupa atualmente cerca da 12.ª posição no seguro de vida, enquanto a Royal Sundaram General está à volta da 15.ª no seguro não vida. Em conjunto com o Federal Bank, o grupo visa um lugar no top 10 do seguro de vida.
"A Índia é um mercado chave de crescimento para nós, e a nossa prioridade é escalar os negócios existentes em vez de olhar para saídas. Estamos a crescer mais depressa que o mercado e permanecemos abertos a oportunidades inorgânicas ou nova distribuição para acelerar esta jornada", disse De Cuyper. Acrescentou que "enquanto os retornos forem atrativos, continuaremos a alocar capital para apoiar o crescimento", rejeitando planos de listagem a curto prazo e enfatizando que "somos investidores de longo prazo e não consideramos IPOs ou saídas nesta fase".
No que respeita à distribuição, De Cuyper destacou que o bancassurance continua a ser um pilar central da abordagem da Ageas na Índia, apesar do escrutínio regulatório sobre a venda inadequada de produtos. "O bancassurance mantém-se um modelo forte e relevante, pois os bancos estão bem posicionados para oferecer aconselhamento financeiro integrado", afirmou, reconhecendo que "as preocupações com a venda inadequada são válidas, mas não são exclusivas do bancassurance".
O responsável considerou que os preços no setor segurador indiano são suportados pelas perspetivas de crescimento do mercado e não são excessivos. "Os múltiplos elevados sublinham a significativa oportunidade de crescimento no mercado", observou, prevendo que, com o tempo, "as margens beneficiarão da escala devido à natureza de custos fixos do negócio", juntamente com uma transição para produtos de proteção de margem mais elevada. De Cuyper também referiu "espaço significativo" nos negócios de reforma e pensões, indicando que o grupo consideraria entrar nessa área "se surgir a oportunidade certa".
Por fim, saudou as mudanças regulatórias, como a adoção de capital baseado no risco e as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), em particular a IFRS 17, descrevendo-as como "um passo positivo" que "melhorará a transparência e proporcionará uma visão mais clara do desempenho intrínseco dos negócios de seguros de longo prazo".


