O CEO da Airbnb, Brian Chesky, afirmou que a plataforma de arrendamento de alojamentos pode transformar-se num Amazon das viagens, à medida que a empresa passa a integrar hotéis e novos serviços na aplicação, num esforço para se tornar uma app completa para quem viaja.
"Imagino que um dia teremos dezenas, possivelmente centenas de categorias, tal como a Amazon", disse Brian Chesky em entrevista a Andrew Ross Sorkin da CNBC. "Acho que podemos construir algo um pouco semelhante a um Amazon para serviços, pelo menos para viajar e viver", acrescentou.
Esta quarta-feira, a Airbnb passou a disponibilizar na sua aplicação hotéis independentes e serviços como aluguer de carros, entrega de compras de supermercado e armazenamento de bagagem, aprofundando a diversificação para além do negócio original de arrendamentos de curta duração.
Os hóspedes podem também reservar hotéis boutique através da Airbnb, com a empresa a oferecer incentivos sob a forma de até 15% de reembolso em créditos na própria plataforma.
Chesky explicou que estas novidades respondem ao aumento das necessidades de serviços num mercado de viagens e de habitação que classifica como "muito fragmentado". O responsável adiantou ainda à CNBC que a empresa pondera adicionar, no futuro, serviços de aluguer de equipamento para atividades como surf e ski, bem como passes de ginásio.
A Airbnb encontra-se a meio de um redesenho em várias fases, depois de ter travado planos iniciais de expansão durante a pandemia de Covid-19. No verão passado, a empresa lançou um negócio de serviços com 10 categorias, num processo de grande renovação do design da aplicação.
Desde então, a plataforma introduziu funcionalidades sociais e um chatbot de inteligência artificial atualizado, reforçando a vertente de interação e apoio aos utilizadores.
A estratégia de IA da empresa vai receber um novo impulso este ano. A Airbnb anunciou que o seu chatbot é agora capaz de resolver problemas de reservas diretamente na conversa e que está a adicionar uma funcionalidade de IA que resume avaliações de hóspedes. Ainda este ano, a empresa planeia incorporar um assistente de voz baseado em IA no chatbot, bem como resumos gerados por IA para os anúncios de alojamento.
O responsável de negócio, Dave Stephenson, referiu que a Airbnb recorre a uma combinação de ferramentas de código aberto e de modelos de linguagem de grandes fornecedores para suportar as funcionalidades de IA. "Somos muito criteriosos na utilização do modelo certo para o objetivo certo, o que, mais uma vez, justifica o facto de utilizarmos esta combinação", afirmou.
Chesky reconheceu que o mercado de IA está a evoluir muito mais depressa do que esperava e assinalou que existe uma forte concentração de empresas a competir no mesmo espaço. Na sua perspetiva, a IA de consumo é a "próxima fronteira", à medida que as pessoas alteram a forma como vivem.
"Eu deixaria um aviso a quem está a canalizar todo o seu dinheiro para este setor, a pensar que só haverá dois ou três vencedores", disse Chesky. "Acho que os maiores vencedores da IA podem nem sequer ter surgido ainda".
Com o arranque da época de verão, a indústria das viagens enfrenta um aumento dos preços dos combustíveis, impulsionado pela guerra em curso no Irão.
Este mês, a Airbnb revelou que as taxas de cancelamento estavam "ligeiramente elevadas" na Europa, Médio Oriente, África e regiões da Ásia-Pacífico, devido ao conflito. A empresa antecipa ainda um impacto negativo de 100 pontos base nas noites e lugares reservados no período em curso.
Chesky considera que a Airbnb é uma das empresas de viagens "mais resilientes" do mundo, apontando a exposição a muitas geografias e tipos de viajantes, bem como, em regra, a maior acessibilidade de preços. "O que estamos a ver é que, quando há incerteza económica, as pessoas planeiam as suas viagens com um pouco mais de antecedência curta", referiu.

