Alibaba anunciou em Chongqing um novo chip de inteligência artificial, o Zhenwu M890, que a empresa afirma ser três vezes mais potente do que o seu antecessor Zhenwu 810E. Este avanço reforça a oferta de chips de IA desenvolvidos internamente na China, numa altura em que a Nvidia enfrenta dificuldades para colocar os seus produtos no mercado chinês.
De acordo com a Alibaba, o Zhenwu M890 está equipado com 144 GB de memória GPU e oferece uma largura de banda entre chips de 800 GB por segundo. A empresa referiu ainda que já entregou 560 000 unidades da família Zhenwu a mais de 400 clientes em 20 sectores de atividade, evidenciando uma adoção significativa da sua tecnologia de hardware de IA.
O novo processador poderá tornar a Alibaba e a sua subsidiária de chips T-Head mais competitivas no mercado doméstico de processadores de IA, onde enfrentam concorrentes como a Huawei e a Cambricon. Segundo Myron Xie, analista da SemiAnalysis especializado em aceleradores de IA, os chips de IA desenhados pela Alibaba estão a ganhar terreno junto de clientes externos e estão a tornar-se numa das plataformas mais populares entre os chips de hardware de IA desenvolvidos na China.
Apesar destes progressos, Xie salientou que a capacidade de memória e os níveis de largura de banda anunciados ainda ficam aquém dos principais fabricantes ocidentais. Acrescentou também que a Alibaba ainda não divulgou métricas cruciais como o desempenho de computação do novo chip, o que limita a comparação direta com soluções internacionais de topo.
Os desenvolvedores de IA na China enfrentam há vários anos restrições significativas na compra de processadores avançados de empresas como a Nvidia, devido às limitações impostas pelos Estados Unidos. Em paralelo, Pequim tem vindo a apertar o controlo sobre o uso de chips de IA estrangeiros por parte das empresas domésticas, incluindo o H200 da Nvidia, apesar de Washington ter recentemente autorizado a sua venda no mercado chinês.
Para Leonid Mironov, gestor de carteiras na Gavekal, a ausência da Nvidia do mercado chinês e a incerteza quanto à sua presença futura significam que é improvável que a empresa norte-americana venha a ser um fornecedor de longo prazo para toda a China. Neste contexto, o anúncio da Alibaba em chips de IA é também um sinal para os investidores não subestimarem empresas como Alibaba e Tencent, que são as maiores posições no novo fundo de investimento em China gerido por Mironov. O gestor considera que a Alibaba está a acompanhar o ritmo e a ter um desempenho muito positivo com a T-Head.
O Zhenwu M890 oferece às empresas tecnológicas chinesas uma alternativa adicional em hardware de IA, embora subsistam dúvidas quanto à capacidade de fabrico que a Alibaba conseguirá assegurar em fundições locais, como a Semiconductor Manufacturing International Corporation. Segundo Brady Wang, Associate Director na Counterpoint Research, o M890 representa uma contribuição pequena mas concreta para a ambição de autosuficiência da China em IA. Na sua avaliação, em termos de potência de silício, o M890 não é um concorrente direto do H200 da Nvidia, mas também não precisa de o ser. No mercado chinês, pode funcionar como um substituto credível para o H200.
O novo processador de IA da Alibaba deverá ainda apoiar as exigências de computação associadas aos modelos de linguagem Qwen, desenvolvidos pela empresa. A Alibaba é amplamente vista como uma empresa de IA de pilha completa, dado que atua em toda a cadeia de valor. Desde o hardware e infraestruturas de computação, passando pelos modelos de IA, ferramentas e aplicações.
Em paralelo com o lançamento do chip, a Alibaba revelou que o seu próximo modelo de IA de última geração, o Qwen3.7-Max, será lançado em breve. A empresa pretende assim reforçar a integração entre capacidade de computação proprietária e modelos avançados de IA, melhorando o controlo sobre custos, desempenho e escalabilidade.
Em abril, a Alibaba e a China Telecom anunciaram igualmente o lançamento de um centro de dados no sul da China, alimentado pelos chips desenvolvidos pela própria Alibaba. Este projeto ilustra a estratégia de aprofundar a infraestrutura de computação baseada em tecnologia interna, alinhada com os objetivos de maior independência tecnológica em IA.

