A Alphabet avançou com um plano para angariar 80 mil milhões de dólares em ações, incluindo um investimento de 10 mil milhões de dólares da Berkshire Hathaway, para financiar a expansão da sua infraestrutura de inteligência artificial.
A empresa disse que pretende usar as receitas para despesas de capital, com o objetivo de aumentar a capacidade de infraestrutura de IA e de computação global. A estrutura do plano inclui uma estratégia de colocação ao longo do tempo no mercado secundário, o que implica a emissão gradual de novas ações.
Para os acionistas, a operação tem um custo claro. A venda de ações para financiar investimento dilui a participação dos investidores existentes, ao contrário do uso de caixa gerado pela própria empresa. O financiamento via dívida seria uma alternativa menos penalizadora em termos de diluição, mas a Alphabet optou pela terceira via, a menos preferida para muitos investidores, que é a venda de ações.
Mesmo assim, a reação do mercado foi menos negativa do que o esperado. As ações da Alphabet fecharam a sessão de terça-feira em baixa de quase 4%, mas recuperaram parte das perdas intradiárias. Jim Cramer e David Solomon destacaram que o papel esteve a resistir melhor do que seria de esperar face à dimensão da operação.
A decisão surge num momento em que a empresa está a intensificar o investimento em IA. Em abril, a Alphabet elevou a estimativa de despesas de capital para este ano para um intervalo entre 180 mil milhões e 190 mil milhões de dólares, acima da projeção anterior de 175 mil milhões a 185 mil milhões de dólares.
Segundo a empresa, o plano visa financiar os seus investimentos de forma equilibrada, mantendo um balanço saudável. A leitura favorável de alguns analistas é que a Alphabet não está a recorrer ao mercado por falta de caixa, mas porque entende que a oportunidade em IA é suficientemente grande e urgente para justificar uma aceleração do investimento.
O caso também reforça a pressão competitiva no setor tecnológico. As grandes empresas estão a mobilizar capital em larga escala para garantir capacidade de computação, centros de dados e infraestrutura energética, numa corrida que está a redefinir a dimensão do investimento em IA.

