A Apple está a preparar aumentos de preços nos seus produtos devido à escassez global de memória provocada pelo boom da inteligência artificial. Tim Cook classificou esses aumentos como inevitáveis e disse que a situação da memória é insustentável.
Nos últimos anos, a procura por chatbots e agentes de IA disparou e está a pressionar a capacidade de produção de memória e armazenamento em todo o mundo. Segundo a CNBC, os chips de IA, sobretudo os da Nvidia, estão a absorver grande parte da memória e do armazenamento que os fornecedores conseguem produzir, o que está a obrigar fabricantes de smartphones, computadores e outros dispositivos a esperar mais ou a pagar mais por acesso prioritário.
Cook não indicou quando os aumentos entrarão em vigor, nem quais os dispositivos ou modelos que serão afetados. A Apple também não comentou o tema à CNBC.
Uma possibilidade é que a empresa concentre os aumentos nos modelos premium, como os iPhone Pro. Francisco Jeronimo, analista da IDC, espera uma subida de 100 dólares no iPhone Pro de 999 dólares e no iPhone Pro Max de 1 199 dólares, deixando os modelos de gama mais baixa de fora. Analistas da BofA Securities disseram esperar também aumentos na maioria dos modelos Mac e iPad.
Ao mesmo tempo, a Apple tem vindo a apostar em produtos mais acessíveis, como o MacBook Neo de 599 dólares e o iPhone 16e de 599 dólares. Alguns analistas admitem que a empresa pode ganhar quota de mercado se os fabricantes Android reduzirem especificações ou subirem preços. A IDC estima que o preço médio dos smartphones suba 20% este ano.
Simon Bryant, da CCS Insight, disse que esta situação pode dar à Apple uma oportunidade para pressionar a concorrência Android, que enfrentará maiores custos com chips.
Normalmente, quando a Apple sobe preços, a medida vem acompanhada de novas funcionalidades. Em maio, a empresa aumentou o preço inicial do Mac Mini para 799 dólares, face a 599 dólares, ao mesmo tempo que acrescentou armazenamento.
Para a IA no próprio dispositivo, a Apple está a colocar mais RAM em cada iPhone. As novas funcionalidades, como uma nova voz personalizada da Siri e uma ferramenta de ditado previstas para este outono, ficarão limitadas a um número reduzido de iPhones, iPads e Macs mais recentes, porque os modelos mais antigos e mais baratos não têm memória suficiente para essas opções.
No encontro com o Wall Street Journal, Cook explicou que a Apple precisa de dois tipos principais de memória, DRAM e NAND. A DRAM é usada para armazenamento de dados de curto prazo, enquanto a NAND é usada para armazenamento de longo prazo.
Os chips de IA para centros de dados utilizam memória de elevada largura de banda, mais rápida e com maior consumo energético do que a memória dos smartphones. Um chip Nvidia Blackwell B200 tem 192 GB de memória de elevada largura de banda, e oito unidades podem ser integradas num único servidor. Mais de 2 000 servidores podem compor um único cluster.
Em comparação, um iPhone da Apple vem com 8 GB ou 12 GB de DRAM. O problema agrava-se porque a produção depende sobretudo de três fornecedores, Micron, SK Hynix e Samsung.
A CNBC refere que, quando um fornecedor como a Micron produz uma unidade de memória HBM, deixa de produzir três unidades de memória mais convencional para smartphones. As fabricantes estão a construir novas fábricas, mas muita da capacidade adicional pode continuar a ser destinada à memória HBM, que é mais rentável, e essa capacidade deverá demorar anos a entrar em funcionamento.
Cook disse ainda que a Apple pode usar a sua posição financeira para ajudar a aumentar a oferta. Estamos dispostos a usar o nosso balanço para ajudar a fazer parte da solução, afirmou.

