A Apple está a destacar-se como a nova aposta defensiva dos investidores num momento em que aumentam as dúvidas sobre a sustentabilidade do tema da inteligência artificial e os receios de uma venda generalizada em títulos sensíveis a taxas de juro.
Na terça-feira, as ações da Apple avançaram 2,6%, contrariando uma queda mais ampla no sector tecnológico e prolongando um período de melhor desempenho face ao mercado em geral.
De acordo com uma análise baseada em dados da plataforma ThinkOrSwim, a ação da Apple não apresentava uma correlação tão inversa face às restantes tecnológicas desde 2005. A correlação de 30 dias entre a segunda maior empresa do mundo e o índice Nasdaq-100, onde a Apple tem um peso de 7,5%, atingiu um mínimo de menos 0,86 na quinta-feira e está atualmente em menos 0,82. No último mês, as ações do fabricante do iPhone subiram 7%, contra uma valorização de 1% do Nasdaq-100.
A Apple já passou por períodos de correlação inversa com o Nasdaq ao longo de momentos da última década, mas nunca com esta intensidade e duração. A única fase comparável ocorreu no primeiro trimestre de 2024, altura em que a correlação de 30 dias esteve quase tão invertida como agora. Nessa altura, a Apple encontrava-se em plena fase de correção, enquanto os investidores redirecionavam capital para as principais empresas de inteligência artificial consideradas mais disruptivas.
Dave Mazza, diretor executivo da Roundhill Investments, que gere um ETF da Apple que recorre a swaps para gerar rendimento semanal, considera que a posição da empresa está a mudar dentro do universo tecnológico. Segundo o gestor, quando o tema da inteligência artificial é posto em causa, a Apple não sofre vendas significativas associadas a esse movimento, porque nunca carregou esse risco de forma tão direta. Na sua visão, a empresa transformou-se numa espécie de proteção dentro do Nasdaq.
Depois de ter ficado atrás do Nasdaq nos primeiros seis meses do ano, a Apple acumula agora uma valorização de 20%, face a um retorno de 15% do índice. Nos últimos três anos, os desempenhos aproximam-se, com o Nasdaq a subir 90% e a Apple a avançar 82%.
Os operadores de opções parecem acreditar que a força relativa da Apple é sustentável. Na sessão de terça-feira, foram negociadas quase 1,5 milhões de opções de compra sobre a empresa, contra menos de 700 000 opções de venda. Dentro destes volumes, cerca de 543 000 calls terão sido iniciadas por compradores, comparadas com menos de 220 000 compradores de puts, segundo dados da ThinkOrSwim.
A exposição líquida em delta aos contratos subjacentes, que mede a sensibilidade do valor das opções às variações do preço da ação da Apple, encontra-se fortemente desequilibrada a favor de posições otimistas, de acordo com a análise de fluxos realizada pela Barchart.
O volume elevado reforça esta leitura. As opções sobre a Apple foram as segundas mais transacionadas na terça-feira, com um volume aproximadamente duas vezes superior à média dos últimos 30 dias, segundo dados da SpotGamma e da Cboe LiveVol.


