Apple reportou resultados do terceiro trimestre na quinta-feira, superando as estimativas dos analistas em lucro e receita graças a vendas robustas de iPhone. Apesar disso, as ações recuaram, penalizadas por um desempenho abaixo do previsto nos segmentos de Serviços e da região da Grande China.
Após a divulgação dos números, a ação da Apple caiu mais de 3%, refletindo a preocupação dos investidores com a evolução das áreas de Serviços e da Grande China, apesar da solidez do negócio do iPhone.
No terceiro trimestre, a Apple apresentou um lucro por ação (EPS) de 2,02 dólares, com uma receita total de 109,4 biliões de dólares. Estes valores ficaram acima das expectativas do mercado, que apontavam para um EPS de 1,89 dólares e uma receita de 108,8 biliões de dólares. No terceiro trimestre de 2025, a empresa tinha registado um EPS de 1,57 dólares e uma receita de 94 biliões de dólares.
A receita do iPhone atingiu 54,2 biliões de dólares, superando as previsões de 53,5 biliões de dólares. As vendas desta divisão tinham sido de 44,5 biliões de dólares no mesmo trimestre do ano anterior, evidenciando um crescimento significativo do principal produto da empresa.
Já os Serviços, o segundo maior negócio da Apple, geraram 30,7 biliões de dólares, abaixo das projeções de 31,3 biliões de dólares. Na Grande China, a receita foi de 18,8 biliões de dólares, aquém das estimativas dos analistas, que apontavam para 19,5 biliões de dólares.
Embora a ação da Apple tenha superado os seus pares de Big Tech em termos de evolução em bolsa, a empresa sediada em Cupertino, Califórnia, enfrenta uma pressão adicional ligada à inteligência artificial: o aumento dos custos de memória e armazenamento, impulsionado pela expansão global de projetos de IA.
Este aumento de custos levou a empresa a subir preços nos Macs e iPads, ainda que o iPhone tenha sido poupado, pelo menos por agora. A Apple é amplamente vista como candidata a aumentar os preços da próxima geração de iPhones, quando apresentar a nova linha no seu evento anual de setembro.
Segundo o analista Edison Lee, da Jefferies, a subida dos preços de memória pode pressionar as margens do iPhone nos próximos trimestres. O analista estima que o custo da memória continuará a aumentar na segunda metade de 2026 e, assumindo subidas de preços semelhantes às do iPad (exceto na versão de 512 GB, onde se assume uma subida de 300 dólares face aos 200 dólares do iPad), o incremento das margens brutas seria apenas de 21%. De acordo com Lee, isso poderia reduzir a margem bruta global do iPhone dos atuais 38% para 34,5%.
Brandon Nispel, do KeyBank Capital Markets, considera que um eventual aumento de preços do iPhone representa um desafio mais amplo do que apenas o impacto nas margens brutas. Na sua análise, à medida que a Apple aumenta o preço do iPhone, o crescimento das unidades vendidas deverá abrandar e, com isso, o crescimento do número de utilizadores. Essa desaceleração, defende Nispel, acabará por limitar também a expansão da área de Serviços.
Um dos instrumentos que pode mitigar parte destas preocupações é o novo serviço Apple Upgrade, anunciado na terça-feira, que permite aos clientes fazer leasing de dispositivos, desde iPhones até Macs. Este modelo de subscrição de hardware poderá ajudar a suavizar o impacto de eventuais subidas de preços sobre a procura.
Todo este contexto recai agora sobre o novo CEO, John Ternus, que assumirá o cargo a 1 de setembro, sucedendo a Tim Cook. Os resultados desta quinta-feira serão os últimos de Cook na função de CEO da Apple.


