As ações da AST SpaceMobile (ASTS), cotada na Nasdaq, registaram uma queda acentuada de mais de 9% na terça-feira, 14 de abril de 2026, passando de cerca de 92 dólares para perto dos 84 dólares por ação. Esta reação do mercado deve-se diretamente ao anúncio da Amazon de um acordo definitivo para adquirir a Globalstar por 11,57 mil milhões de dólares, uma transação que altera o equilíbrio competitivo no setor de conectividade satelital direta para dispositivos móveis, conhecido como direct-to-device (D2D).
O acordo Amazon-Globalstar e as suas implicações
A Amazon, através do seu projeto Leo, posiciona-se agora como um terceiro grande ator neste mercado, ao lado da SpaceX e da própria AST SpaceMobile. A Globalstar, que a Amazon vai comprar por 90 dólares em numerário ou 0,3210 ações da Amazon por ação da Globalstar, traz à gigante do comércio eletrónico ativos cruciais: uma constelação de satélites em órbita baixa (LEO) já operacional, espectro de radiofrequências Band 53/n53 harmonizado globalmente, uma rede de estações terrestres e tecnologia de conectividade D2D. Estes elementos representam anos de investimento e desenvolvimento para a AST SpaceMobile, que ainda depende de lançamentos futuros dos seus satélites BlueBird para avançar.
O projeto Leo da Amazon, até agora dependente da sua constelação Project Kuiper com apenas cerca de 212 satélites em órbita no início de abril, ganha assim uma infraestrutura imediata e competitiva. Analistas como os do William Blair destacam que esta aquisição fecha lacunas críticas nas capacidades da Amazon, permitindo-lhe competir diretamente com a AST SpaceMobile num setor em expansão, impulsionado pela procura de conectividade em áreas remotas sem necessidade de hardware adicional nos telemóveis.
Preocupações com parcerias e concorrência
Um fator adicional de inquietação para os investidores da AST SpaceMobile é a parceria pré-existente entre a AT&T, um dos principais operadores americanos aliados da empresa, e o projeto Leo da Amazon. Esta sobreposição pode levantar receios de perda de clientes ou divisão de mercado, num momento em que a AST SpaceMobile procura financiamento adicional para os seus planos de expansão. Recorde-se que, em 2025, a empresa faturou 70,92 milhões de dólares, um aumento significativo face aos 4,42 milhões de 2024, mas continua a registar prejuízos elevados de 341,94 milhões de dólares.
O sentimento no mercado é de que as ações da AST SpaceMobile estão sobrevendidas, segundo alguns investidores de retalho, mas o consenso de oito analistas aponta para uma recomendação de 'Manter', com um preço-alvo médio de 71,27 dólares a 12 meses, o que implicaria uma desvalorização de cerca de 13,66% face ao valor mais recente. Esta transação da Amazon reforça a intensidade da concorrência num setor estratégico, onde o acesso a espectro e satélites operacionais se torna decisivo para o sucesso a médio prazo.


