Audemars Piguet bate recordes de vendas com parceria Swatch apesar da crise no setor

Audemars Piguet bate recordes de vendas com parceria Swatch apesar da crise no setor

Audemars Piguet bate recordes de vendas com parceria Swatch apesar da crise no setor

A fabricante de relógios de luxo Audemars Piguet está a registar níveis recorde de vendas e de envolvimento de clientes após o lançamento da sua arrojada colaboração Royal Pop com a Swatch, realizada em maio deste ano. A linha de relógios de cores vivas presos a cordões, com um preço de 400 dólares cada, gerou uma corrida às lojas e um forte debate no setor sobre se a prestigiada marca suíça estaria a desvalorizar o seu estatuto exclusivo. Contudo, a procura disparou significativamente em todos os segmentos da empresa, atraindo milhões de jovens consumidores para o universo dos movimentos mecânicos e mobilizando até os colecionadores mais tradicionais.

Impacto comercial e estratégia de abertura radical

A presidente executiva da Audemars Piguet, Ilaria Resta, destacou que a iniciativa gerou mais de 20 biliões de menções e conversas nas redes sociais, resultando em meses consecutivos de vendas recorde e visitas constantes às lojas físicas. Esta abordagem reflete uma estratégia batizada de abertura radical, desenhada para aproximar a alta relojoaria das novas gerações através de iniciativas educativas como os AP Labs. Todos os lucros obtidos pela marca com a colaboração Royal Pop estão a ser canalizados para financiar programas de formação de novos relojoeiros, respondendo à escassez crónica de mão de obra qualificada na indústria.

Concentração de mercado na relojoaria suíça

O desempenho da empresa contrasta com a situação geral da indústria relojoeira suíça, avaliada em 50 biliões de dólares, onde os lucros gerais e os volumes de exportação têm vindo a diminuir. Enquanto o número global de relógios exportados caiu para mais de metade desde 2011, as quatro principais marcas (Rolex, Patek Philippe, Audemars Piguet e Richard Mille) concentram cerca de metade das vendas totais e aproximadamente 76% dos lucros do setor. Com uma produção limitada a 53.000 unidades anuais e modelos Royal Oak que começam nos 30.000 dólares, a escassez de produto mantém as listas de espera longas e os preços no mercado de segunda mão cerca de 30% acima do valor de tabela.

Desafios operacionais, tarifas e novas fontes de procura

Apesar do crescimento orgânico de 10% nas vendas em 2025, com perspetivas de novo recorde em 2026, o setor enfrenta ventos contrários operacionais. A imposição de tarifas norte-americanas de até 12,5% sobre produtos suíços contribuiu para uma queda de 19% nas exportações para os Estados Unidos em agosto, situação agravada pela subida dos custos de matérias-primas como o ouro e pela valorização do franco suíço. A gestão da Audemars Piguet optou por absorver os custos alfandegários para proteger a relação com os clientes, avançando ainda com a construção de um centro de assistência avançado em Raleigh, na Carolina do Norte. Em paralelo, a procura tem encontrado suporte nos novos milionários e bilionários do setor tecnológico e da inteligência artificial, que procuram relógios mecânicos como contraponto ao estilo de vida digital.

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