Banco Central Europeu mantém taxa de juro nos 2,5% apesar da subida da inflação

Banco Central Europeu mantém taxa de juro nos 2,5% apesar da subida da inflação

Banco Central Europeu mantém taxa de juro nos 2,5% apesar da subida da inflação

O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro inalteradas esta quinta-feira, ao encontro das expectativas do mercado, apesar de a inflação na zona euro ter atingido o valor mais elevado dos últimos três anos. Esta decisão fixa a principal taxa de referência da instituição, a taxa de facilidade permanente de depósito, nos 2,5%, após um agravamento de 25 pontos base concretizado em setembro.

Em comunicado, o Conselho de Governadores explicou que a subida dos preços da energia apresenta riscos de alta para as perspetivas de inflação e riscos de baixa para o crescimento económico. Contudo, a instituição considerou que a inflação subjacente e os salários se têm mantido amplamente estáveis até ao momento, não se verificando efeitos de segunda ordem adicionais além dos que já estavam previstos nas projeções divulgadas anteriormente.

Impacto dos custos de energia e financiamento

A presidente do BCE, Christine Lagarde, identificou os custos acrescidos de energia no petróleo, gasolina, combustível e gás, bem como as margens de refinação, como os principais desenvolvimentos desde a última reunião. Somou-se a isto um aumento acentuado nos custos de financiamento a longo prazo, com o rendimento médio das obrigações soberanas a 10 anos a registar uma subida de cerca de 35 pontos base. O Conselho de Governadores chegou a debater a oportunidade de um novo aumento, mas optou unanimemente por uma pausa diante da incerteza acumulada.

A inflação homóloga na zona euro fixou-se nos 3,8% no mês passado, registando o nível mais alto desde setembro de 2023, impulsionada por uma inflação nos produtos energéticos de 18,8% no contexto de tensões no Médio Oriente. O recrudescimento das pressões energéticas após o conflito que envolveu os Estados Unidos, Israel e o Irão em fevereiro já tinha levado o BCE a subir as taxas em junho, algo que não acontecia desde 2023.

Desempenho económico e perspetivas futuras

A economia da zona euro continuou a expandir-se no terceiro trimestre, apoiada por uma recuperação no setor dos serviços. O setor transformador, os serviços digitais e as exportações têm sido impulsionados por investimentos ligados à inteligência artificial, enquanto os gastos governamentais em infraestruturas e defesa sustentam a atividade empresarial. No entanto, o aumento dos custos energéticos e o agravamento das condições de financiamento deverão penalizar a confiança dos consumidores e pesar sobre o crescimento.

O mercado atribui agora uma probabilidade próxima de 67% a um novo agravamento das taxas de juro na reunião de dezembro. Paralelamente, o BCE continua atento ao aumento dos custos de endividamento em França e à fragmentação financeira no mercado obrigrecolha mundial, impulsionada por expectativas de inflação e emissões de dívida de longo prazo por parte de grandes empresas tecnológicas. Os analistas antecipam que a atual pausa possa ser de caráter temporário, mantendo o foco do BCE na prevenção de pressões inflacionistas persistentes.

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