BlackRock supera lucros mas queda nos ativos sob gestão preocupa

BlackRock supera lucros mas queda nos ativos sob gestão preocupa

BlackRock supera lucros mas queda nos ativos sob gestão preocupa

A BlackRock, maior gestora de ativos mundiais, apresentou resultados do terceiro trimestre de 2025 que superaram as expectativas dos analistas, com um lucro líquido de 1,32 mil milhões de dólares e um lucro por ação ajustado de 11,55 dólares, contra os 11,30 dólares previstos. A receita totalizou 6,5 mil milhões de dólares, um aumento de 25% face ao período homólogo, impulsionado pela valorização dos mercados de capitais e pelo crescimento das taxas de administração. Estes números reflectem a capacidade da empresa em capitalizar o bom momento dos investimentos tradicionais, nomeadamente através dos fundos negociados em bolsa (ETF) iShares, que captaram 527 mil milhões de dólares ao longo do ano.

Activos sob gestão atingem pico mas declínio recente levanta questões

Os activos sob gestão (AUM) da BlackRock alcançaram um recorde de 13,4 biliões de dólares no final do terceiro trimestre, beneficiando da subida geral dos mercados. No entanto, o título da notícia original refere um declínio nos AUM que conta uma história mais ampla, o que pode estar ligado a desenvolvimentos recentes no sector do crédito privado. Apesar do crescimento orgânico de 12% nas taxas base no quarto trimestre de 2025, impulsionado por entradas recorde nos ETF, surgem sinais de tensão noutros segmentos. O fundo HLEND, dedicado a empréstimos a empresas de médio porte, enfrentou pela primeira vez pedidos de resgate que excederam o limite de 5% das acções disponíveis para recompra, levando a empresa a restringir saques. Esta situação provocou uma queda de 7% nas acções da BlackRock (BLK) numa única sessão, com o preço a descer para cerca de 955 dólares, e acumula uma desvalorização de 12% no ano.

Riscos no crédito privado afectam o sector

O episódio do HLEND não é isolado. O sector do crédito privado e private equity atravessa uma fase de correcção após um rali intenso entre 2023 e 2025, que viu retornos elevados para gigantes como Blackstone, Apollo e KKR. Desde Setembro de 2024, estes títulos perderam entre 41% e 48% dos ganhos, apagando mais de 265 mil milhões de dólares em valor de mercado. A BlackRock, que gere 14 biliões de dólares em activos no total, aposta na expansão para mercados privados, com uma meta de captação de 400 mil milhões de dólares até 2030, integrando aquisições como a GIP e HPS. Ainda assim, as restrições aos resgates sinalizam liquidez limitada nestes fundos, o que pode pressionar a confiança dos investidores e afectar os fluxos entrantes. As acções da BLK negociam actualmente em torno dos 961 dólares, 21% abaixo do pico, num intervalo de 52 semanas entre 773 e 1219 dólares.

Propostas de crescimento apesar das nuvens

Para o futuro, a BlackRock planeia 1,8 mil milhões de dólares em recompras de acções em 2026, um aumento de 10% nos dividendos e receitas projectadas em 27,9 mil milhões de dólares para o ano, contra 24,2 mil milhões em 2025. Estes elementos sustentam margens operacionais acima de 45%, mas o foco recai sobre a capacidade de gerir os riscos do crédito privado. Os investidores monitorizam se a pressão sobre fundos como o HLEND persiste, num contexto em que o setor de gestão de activos concentra 80% dos fluxos nos cinco principais players. Para o acionista comum, os lucros sólidos oferecem alívio de curto prazo, mas o declínio selectivo nos AUM exige vigilância sobre a diversificação e a liquidez dos produtos privados.

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