A Boeing registou uma redução expressiva dos seus prejuízos no terceiro trimestre do ano, impulsionada em grande parte pelo aumento das vendas no segmento da defesa. Apesar desta melhoria financeira, o presidente executivo da empresa, Kelly Ortberg, dirigiu-se aos colaboradores para alertar que a fabricante aeronáutica ainda tem bastante trabalho pela frente para estabilizar as suas operações globais. A recuperação operacional da empresa permanece fortemente dependente da aceleração no ritmo de fabrico de aeronaves comerciais.
Durante o trimestre terminado a 30 de setembro, a Boeing reportou um prejuízo líquido de 116 milhões de dólares, o equivalente a 26 cêntimos por ação. Este resultado representa uma recuperação substancial face ao prejuízo de 5,34 biliões de dólares, ou 7,14 dólares por ação, verificado no mesmo período do ano anterior. Ajustando para itens não recorrentes, a empresa registou uma perda por ação de 34 cêntimos, valor que ficou ligeiramente abaixo das estimativas de Wall Street, que antecipavam um prejuízo ajustado de 21 cêntimos por ação. Por outro lado, a receita total registou um crescimento homólogo de 4%, atingindo os 24,19 biliões de dólares, superando ligeiramente as expectativas dos analistas, que se situavam nos 23,84 biliões de dólares.
Aumento do volume de negócios na defesa e produção do 737 Max
O grande motor do desempenho do trimestre foi o negócio de defesa da fabricante, cujos rendimentos cresceram 15% em comparação com o período homólogo, somando 7,94 biliões de dólares. O segmento da aviação comercial continua a ser o centro das atenções do mercado, sendo a cadência de produção e entrega de aviões crucial para a recuperação financeira da empresa, uma vez que a maior fatia do valor de cada aeronave é liquidada apenas quando o cliente recebe o produto final. Atualmente, a Boeing tem estado a produzir cerca de 47 unidades do modelo 737 Max por mês, mas ambiciona elevar este número. Kelly Ortberg explicou que a estabilização da produção está a demorar um pouco mais do que o previsto, mas reiterou o objetivo de aumentar o volume de fabrico ao longo do próximo ano.
Para além dos desafios na produção em massa, o historial recente da empresa incluiu um encargo financeiro pesado de quase 5 biliões de dólares associado ao programa do avião 777X, um projeto que tem acumulado atrasos sucessivos. Ainda assim, a empresa alcançou marcos operacionais e comerciais relevantes. A Marinha dos Estados Unidos selecionou a Boeing para o desenvolvimento do seu caça de próxima geração, assegurando um projeto militar de elevado valor estratégico para os próximos anos.
Aprovações regulatórias e perspetivas operacionais
No domínio regulatório, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos deu luz verde na semana passada à certificação do 737 Max 10, o maior modelo da família Max. Esta aprovação seguiu-se ao visto bom concedido ao 737 Max 7 no mês de agosto, assinalando a conclusão do ciclo de certificações finais para toda esta linha de aeronaves comerciais. Com estas etapas concluídas, a direção da empresa foca-se agora na melhoria do desempenho através do aumento da produtividade e eficiência diária, mantendo como prioridade máxima os níveis de segurança e qualidade do produto final.


