A BYD espera que o mercado chinês de veículos eléctricos continue a crescer, numa altura em que as vendas deste tipo de automóveis na China abrandaram. A fabricante antecipa que a penetração de veículos eléctricos e híbridos pode aproximar-se de 80% no país.
BYD vê espaço para nova expansão
“Com toda a tecnologia de inovação introduzida no mercado, o mercado chinês muito rapidamente irá empurrar para ... perto de 80% de penetração em veículos eléctricos”, განაცხადა Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, em declarações à CNBC.
O avanço tem sido sustentado pelo apoio estatal e pela grande oferta de modelos. Segundo a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, a taxa de penetração de veículos híbridos e 100% eléctricos ultrapassou metade dos novos automóveis de passageiros vendidos em 2024 e atingiu um recorde de 62,9% no último mês.
Nos Estados Unidos, a taxa de penetração dos automóveis eléctricos está em cerca de 10%, enquanto a média global ronda os 25%, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
Procura doméstica continua forte
Apesar das pressões sobre o sector, a BYD mantém uma leitura optimista do mercado interno. Stella Li afirmou que a procura doméstica pelos veículos eléctricos da empresa é actualmente cerca do dobro da capacidade de entrega da fabricante.
A executiva atribuiu parte desse interesse à tecnologia de carregamento rápido da marca, que, segundo a empresa, consegue atingir 70% de carga em apenas cinco minutos.
Ao mesmo tempo, as vendas de automóveis a gasolina na China caíram 39% em Maio face ao mesmo mês do ano anterior, segundo a CPCA, que apontou o impacto do aumento dos preços do petróleo em meio às hostilidades no Médio Oriente.
A próxima frente de competição
Para Stella Li, a próxima fase da concorrência deverá centrar-se nas funções de assistência à condução. A BYD alargou em 28 de Maio a cobertura de seguro para utilizadores do sistema de assistência à condução “L2+”, uma medida que, segundo Li, poderá aumentar a utilização por parte dos clientes em 5 pontos percentuais, para pelo menos 95%.
A empresa revelou também o seu próprio chip para assistência à condução. Ainda assim, Li disse que a BYD continuará, em grande medida, a usar os chipsets da Nvidia para esse sistema, apesar de empregar cerca de 7 000 engenheiros no desenvolvimento de semicondutores.
Esse número é apenas uma pequena fracção dos mais de 869 600 trabalhadores da fabricante, segundo o relatório anual de 2025 da empresa.
Pressão internacional e estratégia externa
A BYD enfrenta também restrições fora da China. As tarifas de 100% dos Estados Unidos sobre carros eléctricos fabricados na China limitaram as vendas locais. Além disso, a BYD e outras empresas foram incluídas na lista do Pentágono de companhias chinesas com ligações militares, na segunda-feira.
Leon Cheng, responsável pela área de mobilidade da YCP, uma consultora focada na Ásia, afirmou que, apesar da recuperação em Maio, as vendas totais da BYD ficaram praticamente estáveis em termos homólogos.
“A questão não é apenas se a BYD consegue manter a liderança na China”, disse, “mas se consegue defender a sua posição global à medida que mais fabricantes chineses de veículos eléctricos competem agressivamente nos mercados de exportação.”
Em Maio, a BYD vendeu na China quase três vezes mais automóveis do que o segundo maior fabricante por vendas de veículos de novas energias, segundo dados da associação, quebrando uma sequência de oito meses de quebra nas vendas.
Como a expansão local tem sido mais difícil, a fabricante tem procurado impulsionar as vendas através dos mercados de exportação. Stella Li afirmou que a empresa pretende produzir localmente 75% dos automóveis vendidos na Europa.
A executiva rejeitou ainda acusações de uma entidade de vigilância sediada em Nova Iorque sobre alegados abusos laborais na construção da fábrica da BYD na Hungria, acrescentando que a Comissão Europeia ainda não tinha investigado o local.
A União Europeia afirmou no mês passado que o caso cabia à jurisdição das autoridades laborais húngaras.

