Alex Soares
Pressão já afeta jet fuel e pode alastrar ao diesel e gasolina nas próximas semanas
O CEO da Shell, Wael Sawan, alertou que o conflito com o Irão está a começar a provocar tensões reais no fornecimento global de combustíveis, com risco de escassez já nas próximas semanas.
Segundo o executivo, o impacto já é visível no jet fuel, enquanto o diesel deverá ser o próximo combustível a sofrer restrições, seguido pela gasolina, especialmente com a aproximação da época de maior consumo no verão.
A Europa poderá enfrentar escassez já em abril, enquanto regiões do Sul e Nordeste da Ásia já estão a sentir pressão nos mercados energéticos.
Tensões agravam risco energético
Além da pressão nos mercados, um ataque com míssil por parte do Irão atingiu recentemente uma instalação da Shell no Qatar.
Apesar de não haver danos humanos e de a infraestrutura continuar operacional, o episódio reforça o risco crescente sobre ativos energéticos estratégicos.
A Shell está também a aconselhar governos a prepararem-se através de:
Redução da procura
Utilização de reservas estratégicas
Procura de fornecedores alternativos
Alerta direto ao mercado
Wael Sawan deixou um aviso claro:
“As escassezes de energia podem atingir a Europa já no próximo mês.”
Impacto económico: inflação, juros e crescimento
Uma subida dos preços da energia tende a ter efeitos em cadeia na economia:
Aumento dos custos de transporte e produção
Pressão sobre bens essenciais
Aceleração da inflação, especialmente na Europa
Perante este cenário, instituições como o Banco Central Europeu poderão ser obrigadas a manter juros elevados por mais tempo, dificultando o acesso ao crédito e travando o crescimento económico.
Importa salientar que o aumento das taxas de juro não seria eficaz nesta situação, uma vez que se trata de um problema de oferta e não excesso de procura.
Reação esperada nos mercados
O agravamento da crise energética pode traduzir-se em:
Pressão sobre ações de setores dependentes de energia
Benefícios para empresas do setor energético
Maior volatilidade nos mercados financeiros
Conclusão
O aviso da Shell mostra que o impacto do conflito com o Irão já está a chegar à economia real.
Se a situação evoluir para uma escassez efetiva, o cenário poderá transformar-se rapidamente num ambiente de energia cara, inflação persistente e crescimento mais fraco, aumentando os riscos para os mercados globais.

