A Chevron reportou esta sexta-feira, 1 de maio de 2026, resultados do primeiro trimestre que superaram as estimativas de lucro por acção ajustado, mas com lucros globais no mínimo dos últimos cinco anos, o que levou a uma queda de cerca de 1% nas acções para 191,54 dólares. A empresa reportou lucros ajustados de 1,41 dólares por acção, bem acima do consenso da LSEG de 95 cêntimos, num trimestre em que os preços elevados do petróleo, parcialmente relacionados com o conflito entre os EUA, Israel e o Irão, impulsionaram o segmento upstream.
Resultados financeiros principais
O lucro líquido caiu para 2,2 mil milhões de dólares, face aos 3,5 mil milhões do mesmo período do ano anterior, penalizado por efeitos de calendário desfavoráveis de aproximadamente 2,9 mil milhões de dólares relacionados com derivados financeiros e contabilidade LIFO de inventários, concentrados no segmento downstream. O segmento downstream reverteu de um lucro de 325 milhões de dólares no ano anterior para uma perda de 817 milhões de dólares, devido a desfasamentos contabilísticos em derivados, com a CFO Eimear Bonner a indicar que posições em papel no valor de cerca de 1 mil milhão de dólares deverão encerrar no segundo trimestre e gerar lucro. O conflito com o Irão, iniciado a 28 de Fevereiro, causou uma cessação quase total do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, resultando numa subida dos preços do petróleo de até 50% durante o trimestre reportado.
Produção e operações
O segmento upstream registou um aumento de 4% nos lucros homólogos para 3,9 mil milhões de dólares, impulsionado pelos preços mais elevados das matérias-primas. A produção nos EUA superou os 2 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia pelo terceiro trimestre consecutivo, embora os volumes totais tenham caído ligeiramente para 3,86 milhões de barris equivalentes por dia, afectados por paragens após um incêndio no campo Tengiz no Cazaquistão e restrições no Médio Oriente. A exposição da Chevron ao Médio Oriente é limitada, representando menos de 5% da sua produção total, o que constitui uma vantagem competitiva face a outros operadores mais expostos à região.
Fluxo de caixa e retorno aos acionistas
O fluxo de caixa livre registou um movimento negativo para 1,5 mil milhões de dólares, impulsionado principalmente por uma diminuição no fluxo de caixa operacional e saídas de capital circulante resultantes da subida acentuada dos preços das matérias-primas em Março. Ainda assim, a Chevron devolveu 6 mil milhões de dólares aos accionistas no trimestre, incluindo recompras de acções de 2,5 mil milhões de dólares e dividendos de 3,5 mil milhões, mantendo o compromisso com o objectivo anual de recompras entre 10 e 20 mil milhões de dólares. O CEO Mike Wirth afirmou que "apesar da volatilidade geopolítica elevada e das perturbações de abastecimento relacionadas, a Chevron entregou um desempenho sólido no primeiro trimestre, sublinhando a resiliência do nosso portefólio e o valor de uma execução disciplinada".
Perspectivas e contexto estratégico
A Bonner confirmou o objectivo da empresa de atingir um crescimento mínimo de 10% ano-a-ano no fluxo de caixa livre ajustado até 2030. Os gastos de capital aumentaram face ao ano anterior, em parte como resultado de investimentos relacionados com a aquisição da Hess, sendo esse acréscimo parcialmente compensado por menor despesa na Bacia do Pérmico. Para 2026, a empresa mantém o programa de poupança de custos com meta entre 3 e 4 mil milhões de dólares, um indicador chave a acompanhar nos próximos relatórios.


