A China anunciou restrições à entrada de capital norte-americano em empresas tecnológicas nacionais, num movimento que reforça o controlo de Pequim sobre setores considerados estratégicos. Segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), as companhias chinesas passarão a precisar de aprovação governamental prévia para aceitar determinados investimentos vindos dos Estados Unidos, com impacto direto sobretudo na área da inteligência artificial.
Manus e reação de Pequim
A medida surge na sequência da aquisição da startup de IA Manus pela Meta, operação avaliada em cerca de 2 mil milhões de dólares, que terá aumentado a preocupação das autoridades chinesas com a transferência de tecnologia sensível. De acordo com as reportagens disponíveis, a compra levou Pequim a rever o negócio e a intervir junto de empresas e fundadores ligados à startup.
Soberania tecnológica no centro
O governo chinês vê este tipo de operações como um risco para a soberania tecnológica e para a retenção de ativos estratégicos no país. Entre os alvos potenciais da nova orientação estão startups como Moonshot AI e StepFun, que podem enfrentar mais obstáculos para captar capital estrangeiro, sobretudo norte-americano.
Rivalidade entre EUA e China
A decisão encaixa na escalada da disputa tecnológica entre Washington e Pequim, com os Estados Unidos a limitarem investimentos em áreas como semicondutores, computação quântica e IA, e a China a responder com maior escrutínio e políticas para preservar talento e tecnologia. O movimento mostra que a inteligência artificial se tornou um dos principais campos de confronto geopolítico entre as duas potências.
Impacto para o setor
Na prática, a nova orientação pode dificultar o acesso de startups chinesas a financiamento internacional, mas também reduzir a margem para transferências estratégicas de tecnologia para rivais ocidentais. Para o ecossistema chinês de IA, a medida pode significar mais controlo regulatório, menos liquidez externa e uma aposta ainda maior na autonomia doméstica.
Ponto em aberto
Até ao momento, não há indicação de acusações formais contra os fundadores da Manus, mas o escrutínio regulatório continua e o desfecho do negócio pode ainda evoluir. A Meta, por sua vez, afirma que a transação cumpriu a lei aplicável, enquanto Pequim mantém a vigilância sobre qualquer operação que envolva ativos tecnológicos sensíveis.


