O Ministério do Comércio da China confirmou que os seus principais negociadores comerciais realizaram as primeiras conversações com os Estados Unidos dedicadas ao tema da inteligência artificial. O porta-voz da instituição, He Yadong, explicou aos jornalistas que ambas as partes discutiram igualmente planos para reduzir tarifas alfandegárias e prolongar os entendimentos comerciais alcançados em Kuala Lumpur no passado mês de outubro.
As negociações surgem no seguimento do encontro entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, em Nova Iorque, antecedendo a cimeira oficial entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. Logo após a chegada de Xi aos Estados Unidos, foi confirmado que ambos os países concordaram em estender a trégua comercial até janeiro. O acordo original, firmado em outubro de 2025, manteve as taxas aduaneiras em níveis mais baixos e limitou os controlos à exportação de terras raras por parte da China, materiais vitais para semicondutores, produtos de uso doméstico e equipamento de defesa.
Antes desta confirmação oficial por parte de Pequim, já tinha sido avançado que os dois governos debateram a criação de um diálogo estruturado sobre inteligência artificial, bem como a implementação de um mecanismo de alerta mútuo para mitigar riscos associados a esta tecnologia. A confirmação chinesa ocorreu poucas horas antes do início do encontro oficial entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington, no âmbito de uma visita de Estado.
Através das redes sociais, o presidente norte-americano assinalou a importância da cimeira e indicou que a superinteligência seria um dos grandes temas em cima da mesa. Trump tem manifestado oposição a uma regulação excessiva do setor, reiterando publicamente a intenção de incentivar o desenvolvimento tecnológico em vez de o limitar. Do lado chinês, o ministério classificou as conversações como construtivas e francas, sublinhando que foram alcançados múltiplos pontos de consenso.
Ambas as potências analisam atualmente a melhor forma de responder aos riscos colocados pelo avanço acelerado da tecnologia. Incidentes recentes envolvendo sistemas de inteligência artificial intensificaram os receios de que modelos cada vez mais autónomos possam acelerar potenciais ameaças e dificultar a respetiva contenção a nível global.


