Pequim injeta 54 biliões de dólares na banca e seguros mas ações caem face a estímulo contido

Pequim injeta 54 biliões de dólares na banca e seguros mas ações caem face a estímulo contido

Pequim injeta 54 biliões de dólares na banca e seguros mas ações caem face a estímulo contido

O Ministério das Finanças da China está a liderar uma injeção de capital de 54 biliões de dólares em bancos e seguradoras estatais. Esta medida surge num momento em que Pequim procura promover o crescimento económico através de estímulos contidos, embora o montante tenha ficado aquém das expectativas dos investidores. No total, três credores estatais e cinco seguradoras vão receber um montante combinado de 360 mil milhões de yuans, equivalentes a cerca de 53,6 biliões de dólares, provenientes de instituições públicas e da gigante estatal de tabaco. Esta é a primeira vez que o governo chinês alarga a recapitalização ao setor segurador, refletindo a propagação da pressão financeira no país.

A reação dos mercados financeiros foi desfavorável, com as ações dos bancos e seguradoras cotadas em Hong Kong a registarem perdas significativas e a apresentarem um desempenho inferior ao do mercado geral. O índice Hang Seng recuou menos de 1%, mas o Agricultural Bank of China e o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) registaram quedas de 2,7% e 2,3%, respetivamente. No setor dos seguros, a China Taiping Insurance desvalorizou quase 4%, enquanto a People's Insurance Company of China e a China Life Insurance recuaram mais de 2%. Analistas financeiros apontam que a dimensão reduzida deste pacote de recapitalização, face ao que era antecipado, acabou por penalizar a cotação dos títulos.

O setor bancário chinês tem enfrentado uma forte compressão das margens de lucro nos últimos anos, impulsionada pelas diretrizes de Pequim para manter o crédito barato para apoiar os devedores em dificuldades. As margens financeiras líquidas, que representam a diferença entre o que os bancos cobram pelos empréstimos e o que pagam pelos depósitos, caíram para mínimos históricos este ano. Com esta injeção de capital, o governo pretende preparar as instituições financeiras para financiar o próximo ciclo de investimento estratégico do país, com foco particular nas elevadas necessidades de capital para a inteligência artificial e tecnologias avançadas, fortalecendo a resistência do sistema bancário a choques externos.

Entre os detalhes da operação, o Agricultural Bank e o ICBC planeiam angariar 160 mil milhões de yuans e 100 mil milhões de yuans, respetivamente, através de colocações privadas de ações a um grupo de instituições estatais. O Export-Import Bank of China receberá uma injeção direta de 30 mil milhões de yuans do Ministério das Finanças para reforçar o financiamento à economia real. No setor segurador, a China Life receberá 35 mil milhões de yuans e a China Taiping obterá 7 mil milhões de yuans, enquanto a People's Insurance planeia angariar 15 mil milhões de yuans. Estas medidas visam também travar a deterioração dos rácios de solvabilidade das seguradoras, afetadas pelas taxas de juro persistentemente baixas.

Apesar do esforço governamental, analistas alertam que o impacto económico a curto prazo destas medidas poderá ser muito limitado. O principal obstáculo ao financiamento não reside na falta de capital dos bancos, mas sim na fraca procura de crédito por parte das empresas e dos consumidores. O crescimento da segunda maior economia mundial tem dado sinais de abrandamento no terceiro trimestre, o que levou Pequim a adotar um tom mais cauteloso, reconhecendo as dificuldades e os desafios económicos atuais. Embora o apoio orçamental tenha aumentado através da emissão acelerada de dívida pública, os especialistas não preveem um plano de estímulos massivo, mas sim intervenções cirúrgicas para cumprir a meta de crescimento anual.

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