PEQUIM, 17 de Junho. Altos responsáveis chineses defenderam esta quarta-feira a partilha global e segura da inteligência artificial, sinal de que a China e os EUA continuam a promover abordagens distintas para esta tecnologia.
Wang Yi, principal diplomata da China, afirmou que o país está a acelerar a criação de uma organização global de cooperação em IA e que todas as partes são bem-vindas a aderir. Sublinhou ainda que a tecnologia deve servir as necessidades humanas.
As declarações foram feitas no lançamento do livro branco chinês sobre governação global, que criticou as guerras comerciais e destacou o apoio ao Sul Global, expressão usada para designar economias menos desenvolvidas, sobretudo fora da órbita dos EUA e da Europa.
As palavras de Wang surgem num momento em que os EUA reforçam os esforços para limitar o acesso estrangeiro aos principais modelos de IA desenvolvidos no país.
Num encontro realizado esta semana em França, os países do G7, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Itália e Japão, discutiram um plano para dar acesso a modelos de IA norte-americanos a parceiros considerados de confiança, segundo a Reuters, citada pela CNBC. A CNBC indicou não ter conseguido confirmar esse relato de forma independente.
Os modelos de IA dos EUA tendem também a ser disponibilizados apenas por subscrição, enquanto os esforços chineses têm incidido em modelos baratos ou gratuitos que, em muitos casos, podem ser descarregados na íntegra.
Falando ao lado de Wang, Zhao Haibing, vice-presidente da principal agência económica chinesa, criticou abordagens fechadas, exclusivas e monopolistas ao desenvolvimento tecnológico.
Zhao destacou em vez disso os esforços da China para aprofundar a cooperação internacional em IA através dos BRICs e da Organização de Cooperação de Xangai, uma reunião anual de países que inclui a Rússia e o Irão e que começou por se centrar na segurança.
Referiu também a iniciativa chinesa AI Capacity Building for All, o apoio às Nações Unidas na liderança da governação global da IA e os esforços para ajudar países em desenvolvimento com tecnologia e talento.
Os EUA e a China afirmaram separadamente no mês passado que as duas partes iriam trabalhar em salvaguardas para a IA, mas até agora surgiram poucos detalhes.
Nos últimos 12 meses, Pequim apresentou várias propostas de cooperação global. Xi Jinping propôs a Global Governance Initiative numa reunião da Organização de Cooperação de Xangai organizada pela China, no final do verão passado.
Algumas semanas antes, numa conferência anual sobre IA em Xangai, o primeiro-ministro Li Qiang anunciou que o governo chinês tinha proposto a criação de uma organização global de cooperação em IA. As declarações de Li surgiram poucos dias depois de a administração Trump ter anunciado um plano de acção para a IA que incluía apoio ao desenvolvimento de tecnologia norte-americana no estrangeiro.

