A primeira reunião de Kevin Warsh como presidente da FED deixou a taxa de juro diretora inalterada, mas introduziu sinais que inquietaram os mercados. A reunião confirmou uma linha mais dura sobre inflação, uma revisão interna alargada e uma comunicação mais curta e mais directa.
1. Sem alteração de taxas, mas com inclinação para subida
O comité votou para manter a taxa dos fundos federais entre 3,5% e 3,75%, sem dissidências aparentes. Ainda assim, o gráfico de projecções apontou para uma possível subida mais à frente este ano, com o FOMC dividido em 9-9 entre quem vê taxas estáveis ou um corte e quem prevê pelo menos uma subida. A mediana da projeção indicou um aumento de um quarto de ponto percentual.
2. Warsh não apresentou a sua própria projecção
Warsh confirmou que não submeteu a sua própria projeção no chamado dot plot. Explicou que tem mantido uma posição crítica face a este tipo de orientação futura, embora tenha encorajado os restantes membros a continuarem a apresentar as suas projecções.
3. Cinco grupos de trabalho para rever a FED
O novo presidente avançou com a criação de cinco grupos de trabalho. Estes vão estudar a comunicação da FED, o balanço do banco central, as fontes de dados usadas, a produtividade e o emprego, o impacto da inteligência artificial e de outras tecnologias transformadoras, e ainda a abordagem da FED à inflação.
4. Mensagem mais dura sobre inflação
Warsh repetiu várias vezes a expressão price stability e falou numa determinação “inequívoca e unânime” para controlar a inflação. A reacção dos mercados foi negativa, com a yield da obrigação do Tesouro a 2 anos a subir 14,4 pontos base.
5. Comunicação mais curta e mais limpa
O comunicado após a reunião foi reduzido de forma acentuada. Em vez de mais de 300 palavras, como acontecia habitualmente, passou para 130 palavras, com menos linguagem de rotina e menos margem para interpretações.
Rick Rieder, da BlackRock, disse que a reunião marcou “uma nova era” da política monetária nos Estados Unidos. Krishna Guha, da Evercore ISI, afirmou que Warsh soou como um antigo responsável hawkish da FED, ao repetir a necessidade de cumprir o mandato de estabilidade de preços. Jason Pride, da Glenmede, sublinhou que os anúncios dos grupos de trabalho mostram uma instituição em revisão activa e não em estado estável. Dario Perkins, da TS Lombard, considerou que a FED ficou mais difícil de acompanhar e que Warsh quer ser visto como o reformador.

