O responsável máximo pela Google Cloud, Thomas Kurian, afirmou que os clientes existentes da unidade de computação em nuvem da empresa estão a gastar "cerca de mais 50%" do que já tinham comprometido nas suas soluções. Este aumento adicional de despesa tem sido um dos principais motores do forte crescimento da divisão de cloud no segundo trimestre.
"Os nossos clientes existentes aumentaram a sua despesa quando assumem um compromisso connosco", referiu Thomas Kurian na quinta-feira. "Estão a gastar cerca de mais 50% do que o compromisso, e isso explica-se pela diferenciação do nosso portefólio de produtos, pela força que temos na execução comercial, e isso vê-se tanto no crescimento da receita como no crescimento do rendimento operacional".
As declarações de Kurian surgem após a Alphabet, empresa-mãe da Google, ter reportado uma receita melhor do que o esperado para o segundo trimestre, apoiada por um crescimento de 82% em termos homólogos no negócio de cloud.
A procura pelos serviços de cloud da Google é suficientemente forte para levar a empresa a recorrer a fornecedores terceiros, com o objetivo de garantir capacidade adicional. Essa decisão impulsionou as ações de neocloud providers como a CoreWeave e a Nebius, que beneficiam do aumento de procura por capacidade externa.
Kurian explicou que a opção por capacidade de terceiros é necessária, mesmo com impacto negativo nas margens, porque permite à Google captar essa procura, e esses clientes tendem depois a gastar mais noutros serviços da empresa.
"Para nós, quando olhamos para o curto prazo, vamos alugar alguma capacidade durante, sabe-se lá, alguns trimestres", disse Thomas Kurian. "Isso permite-nos trazer clientes, fazer a ponte até termos capacidade suficiente disponível e, depois, esse movimento compõe-se ao longo do tempo, e o retorno do investimento faz sentido para nós".
As ações da Alphabet caíram mais de 7% na quinta-feira depois de a empresa ter revisto em alta a sua previsão de investimento em capital para este ano, para um máximo de 205 biliões de dólares, o que aumentou a preocupação de investidores já nervosos com orçamentos de inteligência artificial em forte expansão.
A empresa indicou que espera agora gastar entre 195 biliões e 205 biliões de dólares em 2026, acima da previsão anterior de 180 biliões a 190 biliões de dólares apresentada no último trimestre. O capex atingiu 44,9 biliões de dólares no segundo trimestre, com a maior parte desse investimento direcionado para infraestrutura de inteligência artificial.
As grandes empresas tecnológicas estão a gastar quantias elevadas para financiar investimentos em infraestrutura de IA, ao mesmo tempo que procuram tranquilizar Wall Street de que esses gastos irão gerar retornos tangíveis.
Antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre da Alphabet, estimava-se que as grandes tecnológicas iriam gastar cerca de 725 biliões de dólares este ano em iniciativas de inteligência artificial. Este valor deverá aumentar à medida que mais pares da Alphabet apresentem contas trimestrais nos próximos dias. A Amazon, a Microsoft e a Meta vão reportar resultados na próxima semana.
Thomas Kurian defendeu a abordagem "muito, muito disciplinada" da empresa em matéria de capex e sublinhou que os clientes já estão a ver retornos reais ao utilizar as soluções de IA da Google.
"A Macy's, por exemplo, verificou que, à medida que implementou o nosso sistema de IA, melhorou o tamanho do cesto de compras que regista", afirmou. "Vemos o Macquarie Bank a poupar muito tempo de processamento ao automatizar muitos dos fluxos de trabalho na sua organização".


