Data centers no espaço ganham força com o impulso financeiro da SpaceX

Data centers no espaço ganham força com o impulso financeiro da SpaceX

Data centers no espaço ganham força com o impulso financeiro da SpaceX

A ideia de levar centros de dados de IA para o espaço deixou de parecer apenas teórica. O novo impulso financeiro da SpaceX, combinado com a procura crescente por computação e com as limitações dos centros de dados em terra, está a tornar o projecto mais plausível do que antes.

A SpaceX conta com foguetões Falcon reutilizáveis e com o Starship em desenvolvimento, enquanto a xAI precisa de mais capacidade de computação e a Starlink pode servir de base a satélites melhorados. Segundo o texto, este conjunto de activos e capital poderá permitir não só suportar operações internas de IA, como também vender serviços comerciais a clientes como a Anthropic.

O argumento económico

Há quem defenda que a SpaceX terá de fazer resultar esta aposta para justificar as suas avaliações em bolsa ao longo do tempo. Duncan Davidson, da Bullpen Capital, afirmou na CNBC que a empresa “depende de centros de dados no espaço” e que esse é o grande projecto de longo prazo.

Davidson admitiu, porém, que a situação económica ainda é limitada, apesar de dizer que os problemas de engenharia e de tecnologia estão a ser resolvidos. O artigo acrescenta que as restrições crescentes aos centros de dados terrestres, incluindo limites práticos, políticos e sociais, ajudam a reforçar o interesse pela órbita baixa da Terra, onde há luz solar contínua.

Elon Musk tem defendido que o Starship, se entrar em operação no próximo ano, poderá reduzir fortemente os custos de lançamento. Na sua leitura, construir centros de dados no espaço ficará mais barato ao longo do tempo, enquanto os custos na Terra tendem a subir.

Os planos da SpaceX

Em Janeiro, a SpaceX apresentou à Federal Communications Commission um pedido para uma constelação de até um milhão de satélites, que serviriam de base a um centro de dados orbital de IA. Dois meses depois, num evento em Austin, Musk reiterou que centros de dados solares no espaço poderão ser mais económicos do que os terrestres dentro de dois a três anos.

Os chamados satélites AI1 serão versões melhoradas dos usados na rede Starlink e vão exigir muito mais semicondutores. A escala do projecto levou a SpaceX, a Tesla e a Intel a criarem a Terafab, uma unidade de 10 milhões de pés quadrados em Austin, prevista para abrir em 2029 e com um custo potencial de até 119 biliões de dólares para construir.

Outros grupos entram na corrida

A SpaceX não está sozinha. Jeff Bezos, da Amazon, também manifestou interesse em centros de dados no espaço através da Blue Origin e da Prometheus. Numa entrevista recente à CNBC, Bezos classificou a ideia como “muito realista”, embora tenha considerado ambiciosos os prazos de dois ou três anos que têm sido apontados.

Em Março, a Blue Origin entregou à FCC planos para lançar 51 600 satélites de centros de dados em órbita baixa, no âmbito do Project Sunrise. A implantação da constelação, batizada TeraWave, deverá começar no quarto trimestre de 2027.

A Google também entrou nesta corrida através do Project Suncatcher, em colaboração com a Planet Labs e com a SpaceX como possível parceira de lançamento. O projecto irá estudar como uma rede de satélites solares com chips TPU poderá aproveitar a energia do sol.

Um documento associado ao projecto refere que os custos de lançamento historicamente travaram sistemas espaciais em grande escala, mas sugere que poderão cair para menos de 200 dólares por quilograma em meados da década de 2030. A esse nível, operar centros de dados orbitais poderá tornar-se comparável aos custos energéticos de um centro de dados terrestre equivalente, em termos anuais por quilowatt.

As startups e os testes em curso

Também fora dos gigantes tecnológicos há empresas a trabalhar nesta área. A Starcloud já enviou para o espaço uma GPU Nvidia H100 num satélite de teste a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX. O presidente executivo, Will Marshall, disse que colocar estes sistemas no espaço será, pura e simplesmente, mais barato.

A empresa está também a trabalhar com a Rendezvous Robotics, especializada em sistemas modulares de naves que se auto-montam em órbita. As estruturas incluem centenas de peças hexagonais interligadas, com cerca de cinco pés de diâmetro, empilhadas dentro do foguetão.

Joe Landon, presidente da Rendezvous, disse que os seus módulos já foram testados três vezes, uma vez num voo da Blue Origin New Shepard e duas vezes na Estação Espacial Internacional. Está previsto mais um teste na ISS ainda este ano, e a empresa aponta para 2028 como data em que poderá entregar sistemas de escala completa.

A Rocket Lab, que já lançou perto de 90 satélites proprietários para a NASA, a U.S. Space Force e vários clientes globais, está a construir o Neutron, um foguetão reutilizável mais potente. O director financeiro, Adam Spice, disse que, se este mercado crescer, a empresa estará bem posicionada para competir como fornecedora ou para usar a sua própria infraestrutura.

Já a Cowboy Space, fundada em 2024 por Baiju Bhatt, cofundador da Robinhood, segue uma abordagem própria e ainda está a desenvolver internamente os seus foguetões e a infraestrutura dos centros de dados. Bhatt afirmou que o projecto usa a segunda fase do foguetão como o próprio satélite de centro de dados e que a empresa aponta para o primeiro lançamento ainda este ano. Em paralelo, pediu à FCC autorização para uma constelação de 20 000 satélites.

A questão de fundo continua em aberto

Mesmo com o avanço da investigação, do desenvolvimento e do investimento contínuo, a questão económica central mantém-se. O texto refere que o problema decisivo é saber se os centros de dados em órbita podem competir com os custos, a escala e a flexibilidade dos centros de dados na Terra.

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