A Reserva Federal dos Estados Unidos reúne-se nos dias 28 e 29 de abril de 2026 para decidir sobre a taxa de juro directora, o federal funds rate, que se mantém inalterada nos 3,50% a 3,75%, assinalando a terceira reunião consecutiva sem alteração. Os mercados atribuem uma probabilidade de 99,5% à manutenção das taxas, segundo dados da LSEG, numa altura em que a escalada do conflito com o Irão elevou os preços do petróleo de forma acentuada, adicionando pressão inflacionista e complicando a trajectória da política monetária da Fed.
Contexto económico actual
A escalada do conflito no Médio Oriente desde finais de Fevereiro alterou dramaticamente as expectativas do mercado. Antes do agravamento do conflito, os investidores antecipavam pelo menos dois cortes de taxas em 2026, mas esse cenário mudou significativamente, com os mercados a precificar menos de um corte padrão de 25 pontos base até Dezembro. Um inquérito da Reuters realizado entre 17 e 21 de Abril mostra que 56 dos 103 economistas inquiridos esperam que a Fed mantenha as taxas inalteradas pelo menos até Setembro, contra cerca de 70% que previam um corte nesse ponto apenas um mês antes. O mercado laboral apresenta sinais mistos, com a economia a perder cerca de 92.000 postos de trabalho em Fevereiro antes de recuperar com um ganho de 178.000 em Março, e a taxa de desemprego a situar-se nos 4,3%.
O difícil equilíbrio de Powell
Numa intervenção na Universidade de Harvard em finais de Março, o presidente da Fed, Jerome Powell, sublinhou uma abordagem de "esperar para ver" enquanto o banco central avalia a evolução da situação económica. "Existe tensão entre os dois objectivos", afirmou Powell, referindo-se ao duplo mandato da Fed de controlar a inflação e apoiar o emprego. A inflação de consumo subiu 0,9% em Março, impulsionada sobretudo pelos custos da gasolina e marcando o maior aumento mensal desde 2022, embora a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, tenha subido apenas 0,2%. Michael Feroli, economista-chefe dos EUA no JP Morgan, afirmou que isto "dá alguma confiança de que o crescimento económico consegue resistir ao choque energético em curso sem danos duradouros excessivos", descrevendo a reunião de Abril como uma "decisão fácil" para a Fed manter as taxas inalteradas.
Resiliência oferece alguma margem de manobra
Apesar dos riscos inflacionistas crescentes, alguns indicadores sugerem que a economia se mantém relativamente estável. Marvin Loh, estratega macro global sénior da State Street, destacou que "a Fed em pausa é algo de suporte, comparativamente com outros bancos centrais que se espera venham a subir taxas nas próximas reuniões", acrescentando que isso "proporciona um ligeiro impulso para os activos norte-americanos". A decisão foi antecedida por três cortes de 25 pontos base em cada reunião no final do ano passado, destinados a amortecer o abrandamento do mercado laboral, uma trajectória que o choque energético actual colocou em pausa.
Foco nas orientações e incerteza na liderança
Embora a própria decisão pareça em grande medida determinada, a atenção centra-se nas orientações futuras. Analistas referem que a questão central é se a comunicação da Fed leva os mercados a ajustar as expectativas para as reuniões seguintes, com os investidores já a olhar para Junho, quando serão divulgadas projecções económicas actualizadas. A reunião decorre igualmente em contexto de incerteza na liderança do banco central: o mandato de Powell como presidente termina a 15 de Maio e o seu potencial sucessor, Kevin Warsh, aguarda confirmação. As tensões políticas em torno do processo poderão atrasar a transição, acrescentando uma camada adicional de incerteza ao panorama da política monetária norte-americana.


