Deputados norte-americanos exigem esclarecimentos à DoorDash sobre uso de modelos de IA chineses

Deputados norte-americanos exigem esclarecimentos à DoorDash sobre uso de modelos de IA chineses

Deputados norte-americanos exigem esclarecimentos à DoorDash sobre uso de modelos de IA chineses

Deputados norte-americanos solicitaram informação à empresa de entregas de refeições DoorDash sobre a utilização de modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China, numa altura em que aumenta o escrutínio sobre o recurso de empresas dos EUA a sistemas criados por entidades chinesas.

Num documento enviado à DoorDash, os presidentes de dois Comités Especiais da Câmara dos Representantes, que conduzem uma investigação conjunta às implicações de segurança associadas ao uso de modelos de IA chineses por empresas norte-americanas, pediram à empresa que partilhasse "informação e documentos" relacionados com a avaliação e implementação de sistemas de IA provenientes da China.

Um porta-voz da DoorDash afirmou que a empresa "apoia com orgulho a liderança norte-americana em IA" e que está a trabalhar para garantir que a inteligência artificial "beneficia o comércio local e não apenas as maiores empresas". O mesmo responsável acrescentou que a DoorDash está disponível para colaborar com os Comités e explicar como utiliza a IA de forma segura e responsável, incluindo modelos de fronteira desenvolvidos nos EUA e modelos open weight.

A crescente adoção de modelos de IA construídos na China tem levado a pedidos cada vez mais insistentes, por parte de deputados norte-americanos, para definir estratégias que contrariem esta tendência. Entre essas iniciativas está uma investigação em curso do Comité de Segurança Interna da Câmara e do Comité Especial sobre o Partido Comunista Chinês.

Um dos passos iniciais desta investigação conjunta foi o envio de cartas a empresas como a Cursor e a Airbnb, devido ao seu "uso ou exposição a estes riscos" através de sistemas de IA desenvolvidos na China.

A carta enviada à DoorDash cita uma publicação na plataforma X de Andy Fang, que descreve como a empresa está a delegar trabalho de IA de menor complexidade ao modelo chinês Kimi K2.6, desenvolvido pela Moonshot AI.

O laboratório de investigação em IA da DoorDash indicou igualmente, numa publicação na mesma rede, que tinha observado que o modelo Kimi K2.6 e o modelo Fable 5, da Anthropic, superavam de forma significativa outros modelos da Anthropic anteriormente utilizados, incluindo "Sonnet 4.6 e Opus 4.8", e com um custo mais reduzido.

Segundo o texto dos Comités, estes reconhecem que empresas norte-americanas, desde grandes tecnológicas a startups, podem avaliar e implementar modelos open weight desenvolvidos na República Popular da China porque estes podem oferecer capacidades competitivas, custos mais baixos, maior personalização e alternativas à dependência de um número reduzido de fornecedores proprietários.

Os Comités sublinham, no entanto, que essas vantagens práticas não eliminam a necessidade de salvaguardas baseadas em risco, nem reduzem as preocupações de segurança nacional associadas ao aumento da dependência de modelos desenvolvidos por entidades sujeitas à jurisdição da República Popular da China.

A inteligência artificial tem surgido como um ponto central de rivalidade entre os Estados Unidos e a China, com ambos os países a disputar a supremacia neste domínio.

Andrew Garbarino, presidente do Comité de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, afirmou anteriormente que "o Partido Comunista Chinês já não está apenas a tentar alcançar os Estados Unidos em inteligência artificial; está a procurar reduzir rapidamente a diferença em algumas das capacidades que vão moldar o futuro da cibersegurança".

Garbarino considerou "altamente alarmante" informação recente segundo a qual um modelo open weight chinês consegue igualar os principais modelos norte-americanos em determinadas tarefas de descoberta de vulnerabilidades e de cibersegurança.

A Moonshot AI lançou este mês o modelo open weight Kimi K3, alegando ter reduzido de forma significativa a diferença de desempenho face aos modelos líderes desenvolvidos nos Estados Unidos.

Embora alguns departamentos governamentais tenham proibido o uso de modelos de IA chineses como o DeepSeek, a adoção destes sistemas por empresas norte-americanas não é, para já, impedida. Líderes tecnológicos, incluindo Brian Armstrong, da empresa de criptoativos Coinbase, e Flo Crivello, da startup de IA Lindy, têm destacado publicamente a utilização de modelos chineses para reduzir custos.

Na carta, os Comités defendem que uma abordagem federal eficaz deve escrutinar a dependência de empresas norte-americanas em modelos desenvolvidos na República Popular da China e reforçar a disponibilidade, segurança e competitividade de alternativas open weight americanas.

A questão da disponibilidade de modelos open weight ganhou maior visibilidade recentemente, depois de se saber que um ciberataque com recurso a modelos descontrolados da OpenAI contra a plataforma Hugging Face foi travado através da utilização de um sistema chinês.

Modelos open weight podem ser descarregados, modificados e alojados internamente pelas empresas. Atualmente, os modelos open weight com maior capacidade são desenvolvidos na China. Já os principais modelos de fronteira criados por empresas como a OpenAI e a Anthropic são fechados.

De acordo com um assessor dos Comités, que pediu para não ser identificado por não estar autorizado a comentar a investigação em curso, está a ser analisado se os Estados Unidos dispõem de uma estratégia suficiente para modelos de IA open weight, de forma a garantir que empresas norte-americanas e profissionais da ciberdefesa não ficam obrigados a escolher entre modelos norte-americanos mais caros ou restritos e alternativas chinesas mais baratas e igualmente capazes.

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