Temores de inflação podem estar exagerados, segundo dois ETFs
A semana poderia ter sido negativa para os investidores em títulos, se não fosse o petróleo bruto. O PIB dos EUA superou as expectativas e o indicador de inflação preferido pelo Fed registou o valor mais alto desde outubro de 2023. Contudo, os Treasury dos EUA mantiveram-se firmes: o rendimento da nota de 10 anos caiu a menos de 4,4% e o ETF de títulos de longo prazo da iShares (TLT) ganhou dois terços de percentagem, estendendo uma subida de 5% desde o mínimo do mês passado[1].
Uma explicação plausível é a queda abrupta dos preços do petróleo: os futuros do crude desceram cerca de 10 dólares em relação ao máximo da sexta-feira anterior, reduzindo o risco de inflação mais elevada e de uma postura hawkish do banco central[2].
Petroleiro e TLT: fluxos de opções apontam para mais tranquilidade
Phil Streible, estrategista principal de mercado da Blue Line Futures, afirmou que o cenário parece bearish e que a curva de rendimentos se achatou ligeiramente. Embora não preveja o petróleo a 50 dólares, considera que pode estabilizar confortavelmente na faixa de 60-65 dólares[3].
Os fluxos de opções no ETF de petróleo (USO) sugerem que mais tranquilidade pode estar por vir. Na sexta-feira, foram negociados cerca de 30% mais puts do que calls, com a venda de puts sendo a direção menos popular. Dos 114 milhões de dólares de prémio negociados no fundo, 81 milhões estavam ligados a calls, segundo dados da SpotGamma[4].
No ETF TLT, também foram negociados mais puts do que calls na sexta-feira, mas a venda de puts foi a negociação mais comum por volume. Uma das maiores negociações do dia foi a venda simultânea de 11.000 puts com strike de 80 e 44.000 puts com strike de 55, que rendeu cerca de 2,6 milhões de dólares. Dos 51 milhões de dólares negociados no TLT, 30 milhões estavam ligados a puts[5].
Fed pode passar de hawkish a neutro ou dovish
Se os preços do petróleo se mantiverem baixos, o risco de um Fed hawkish diminui, especialmente sob a liderança de Kevin Warsh, que afirmou recentemente que o banco central dedicará mais tempo ao desenvolvimento de grupos de trabalho internos do que a especular publicamente sobre a direção das taxas de juro[6].
Streible considera que o pico da inflação do CPI já foi atingido e que, quando Warsh observar a inflação a cair, o Fed poderá passar de hawkish a neutro, ou até a dovish[7].

