Dow Jones recua mais de 600 pontos após subida de taxas de juro pelo FED e avisos sobre inflação

Dow Jones recua mais de 600 pontos após subida de taxas de juro pelo FED e avisos sobre inflação

Dow Jones recua mais de 600 pontos após subida de taxas de juro pelo FED e avisos sobre inflação

O Dow Jones Industrial Average registou uma queda acentuada na sessão desta quarta-feira, após a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) ter decidido aumentar as taxas de juro pela primeira vez em três anos. O movimento de venda intensificou-se durante a conferência de imprensa do presidente do banco central, Kevin Warsh, que sublinhou a persistência de pressões inflacionistas na economia norte-americana. O índice de referência das trinta cotadas azuis perdeu 631,21 pontos, o equivalente a uma descida de 1,21%, encerrando o dia nos 51.461,90 pontos, com a Goldman Sachs a liderar as perdas no grupo.

Reação dos índices e decisão do banco central

A tendência negativa estendeu-se aos restantes indicadores, embora com intensidades distintas. O S&P 500 recuou 0,45%, fixando-se nos 7.551,81 pontos, enquanto o Nasdaq Composite conseguiu mitigar as perdas, terminando a sessão com uma ligeira desvalorização de 0,01% nos 25.978,42 pontos. É de notar que os três principais índices chegaram a negociar em terreno positivo antes da divulgação da decisão do FED e das declarações subsequentes de Warsh. Numa decisão unânime, a autoridade monetária elevou a taxa de juro de referência em 25 pontos base, colocando o intervalo de referência entre 3,75% e 4%. Este foi o primeiro agravamento do custo do dinheiro desde julho de 2023, tendo o banco central sinalizado que poderá ocorrer nova subida ainda este ano.

Inflação e rendimento das obrigações no centro das atenções

Embora o aumento das taxas estivesse dentro das expectativas do mercado, os investidores reagiram negativamente ao tom adotado por Kevin Warsh. O presidente do FED afirmou categoricamente que a inflação permanece demasiado elevada e por um período excessivamente longo, notando que os dados registados durante o verão não indicam uma melhoria significativa nas tendências subjacentes. Esta postura mais agressiva na política monetária fez com que o rendimento das obrigações do Tesouro a 10 anos voltasse a ultrapassar a barreira psicológica dos 5%, refletindo o receio de que o banco central possa ainda estar atrasado no combate à subida de preços.

Impacto no setor bancário e pressões energéticas

O setor financeiro foi um dos mais fustigados pela decisão. As ações do Bank of America e do Wells Fargo registaram quedas próximas de 3%, perante o receio de que o aumento das taxas de juro possa abrandar o crescimento do crédito e, consequentemente, a atividade económica global. A American Express e a Goldman Sachs também sofreram desvalorizações de quase 4%. A pressionar o desempenho económico estão ainda os custos energéticos, com o preço do gasóleo nos Estados Unidos a atingir os 6 dólares por galão devido a restrições na oferta causadas pelos conflitos na Ucrânia e no Irão, enquanto o petróleo bruto se mantém acima dos 100 dólares por barril.

Destaques positivos no setor tecnológico

Apesar do pessimismo generalizado, o setor tecnológico encontrou algum suporte nas ações da Intel, que avançaram 4%. Esta subida ajudou a travar as perdas no índice Nasdaq e foi impulsionada por informações que dão conta de negociações entre a Intel e a gigante sul-coreana SK Hynix para a construção de semicondutores em solo norte-americano. Este desenvolvimento estratégico surge num momento em que a autonomia na produção de componentes críticos se torna prioritária para as grandes empresas tecnológicas, oferecendo um contraponto positivo num dia marcado pela volatilidade e pelo receio de que as taxas de juro elevadas se mantenham por um período prolongado.

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