A economia dos Estados Unidos registou uma forte criação de postos de trabalho em agosto, revertendo o abrandamento verificado durante o verão, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável. De acordo com os dados oficiais publicados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, a criação de emprego não agrícola aumentou em 162.000 no mês passado, um valor significativamente acima dos 53.000 empregos previstos pelos economistas consultados. A taxa de desemprego fixou-se em 4,1%, correspondendo às expectativas. Este desempenho representa o maior ganho mensal desde março deste ano, sugerindo que o mercado de trabalho continua ativo e a gerar milhares de novos empregos para sustentar o crescimento económico.
Reação dos mercados e perspetivas para a política monetária
Após a divulgação do relatório, os contratos de futuros das ações norte-americanas registaram perdas, enquanto os rendimentos das obrigações do Tesouro, particularmente nos prazos mais curtos, subiram de forma acentuada. Os investidores aumentaram as apostas numa possível subida das taxas de juro por parte do FED na reunião de 15 e 16 de setembro. Os operadores de mercado atribuem agora uma probabilidade de cerca de 60% a um aumento de 0,25 pontos percentuais. A atenção dos analistas vira-se agora para os relatórios de inflação do consumidor e do produtor, que serão publicados na próxima semana e deverão servir de fator decisivo para a decisão da instituição.
Análise setorial e revisões em alta
A criação de emprego em agosto foi abrangente entre os diversos setores económicos. O ramo da restauração e hotelaria liderou os ganhos com a criação de 59.000 postos de trabalho, seguido pela educação pública com 42.000 e pela indústria transformadora com 16.000 novos empregos. Em contrapartida, o setor da saúde, que tem sido o principal motor do emprego, registou um aumento modesto de apenas 13.000 postos de trabalho, abaixo da sua média mensal de 32.000 nos últimos doze meses. Adicionalmente, verificou-se uma redução de 23.000 postos de trabalho nas indústrias de informação, refletindo o impacto inicial da inteligência artificial. Os dados dos meses anteriores também foram revistos em alta, com julho a passar para um saldo positivo de 21.000 empregos e junho a ser revisto para 31.000.


