As disputas entre os estados e o governo federal sobre quem tem poder para regular os mercados de previsão não estão a travar o avanço das empresas que operam neste segmento. As plataformas continuam a crescer a um ritmo forte e, com isso, também aumenta a disposição para investir nelas.
A Commodity Futures Trading Commission e seis estados estão envolvidos em processos judiciais sobre a jurisdição para definir regras aplicáveis aos contratos sobre eventos. No total, 17 estados contestam empresas ligadas a mercados de previsão, entre as quais Kalshi, Polymarket, Coinbase e Robinhood, e um deles avançou já com uma proibição total. Os estados defendem que têm competência para regular estas plataformas por causa da componente ligada às apostas desportivas, que consideram equivalente a jogo. Os contratos sobre eventos desportivos representam a maior parte do volume nos mercados de previsão. A CFTC, por sua vez, sustenta que a sua autoridade para regular swaps e derivados coloca estes contratos sob a sua jurisdição.
O Congresso também está a intervir. O presidente do Comité de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, James Comer, disse à CNBC, na sexta-feira, que está a pedir informações aos CEOs da Kalshi e da Polymarket sobre os mecanismos internos usados para controlar o insider trading.
Apesar da incerteza legal, a confiança no investimento nestas plataformas continua visível, com base nas declarações das lideranças empresariais e nas valorizações atribuídas às companhias privadas.
Há muito ruído em torno da posição legal dos mercados de previsão, afirmou Jeremy Peter Jackson, CEO da Flutter Entertainment, na conferência de resultados deste mês. A Flutter é dona da FanDuel Predicts. Até entendermos o que o Supremo Tribunal diz, acho que vamos viver com esta incerteza, acrescentou.
Jackson referiu ainda que a empresa vai continuar a investir em market-making em plataformas de mercados de previsão de terceiros, uma estratégia apresentada no último relatório de resultados, apesar das questões legais em aberto.
Também Jason Robins, CEO da DraftKings, disse numa chamada com analistas em maio que encara o investimento na plataforma de mercados de previsão da empresa como um investimento de longo prazo. Obviamente, há sempre a possibilidade de algo mudar do ponto de vista regulatório ou por outra razão, mas, assumindo um ambiente consistente com o que vemos hoje, espero que continuemos a investir em 2027, afirmou.
O crescimento das empresas privadas também não abrandou. A Kalshi indicou que a sua avaliação passou para 22 mil milhões de dólares após uma ronda de financiamento recentemente anunciada, acima dos 11 mil milhões de dólares registados em dezembro. A avaliação da Polymarket, reportada em 15 mil milhões de dólares, subiu face aos 9 mil milhões de dólares de outubro.
Terrence Duffy, presidente executivo da CME Group, que ajudou a desenvolver a FanDuel Predicts, disse numa conferência de resultados no mês passado que, embora a polémica legal se concentre nos contratos desportivos, outros contratos sobre eventos, como os ligados à economia, política e previsões financeiras, estão a ser alvo de menos escrutínio. É por isso que acredita que estão a crescer. A Bernstein estima que os contratos desportivos representarão apenas cerca de 30% dos volumes até 2030.
Mesmo discordando dos estados, Vlad Tenev, CEO da Robinhood, disse compreender a frustração das autoridades estaduais. Gostava que os estados não tivessem preocupações, mas também não é irracional, certo?, afirmou na chamada de resultados de abril. Trata-se de uma disputa de jurisdição, e isto é algo que se vai desenrolar nos próximos anos, acrescentou.
A CNBC e a Kalshi mantêm uma relação comercial que inclui aquisição de clientes e um investimento minoritário.

