O Banco Central Europeu deverá subir as taxas de juro esta quinta-feira, numa altura em que os responsáveis tentam travar possíveis efeitos de segunda ordem da inflação, alimentados pela subida dos preços da energia.
Ao contrário da FED, o BCE tem um mandato único, que consiste em manter a inflação próxima da meta de 2%, e os dados mais recentes mostram uma subida tanto da inflação geral como da subjacente.
Pressão da energia sobre a inflação
A inflação geral da zona euro subiu para 3,2% em abril, com os preços da energia a avançarem 10,9% em termos homólogos. A zona euro é um grande importador de energia e o bloco está particularmente exposto à subida do preço do petróleo desencadeada pela guerra no Irão.
A inflação subjacente também aumentou para 2,5% em abril, impulsionada sobretudo pelos custos dos serviços. Para o BCE, este é um sinal preocupante, porque pode ser o primeiro indício de efeitos de segunda ordem.
Decisão esperada e risco para o crescimento
O BCE também receia que uma política monetária mais restritiva leve a zona euro de um crescimento fraco para uma recessão em sentido estrito. Ainda assim, é esperado que o Conselho do Governo suba a taxa da facilidade permanente de depósito em 25 pontos base, para 2,25%.
Os investidores estarão igualmente atentos às projeções do BCE para a inflação e para o crescimento económico. O mercado já está a incorporar três subidas de taxas para o resto do ano.
Sven Jari Stehn, economista-chefe para a Europa da Goldman Sachs, afirmou no fim de maio que o BCE deverá rever em baixa as projeções de crescimento para 2026 e 2027, e em alta as projeções de inflação geral e subjacente, refletindo um choque energético mais persistente e efeitos indiretos mais fortes nos preços.
O mesmo economista acrescentou que o seu índice de preços da energia, que combina petróleo e gás, subiu cerca de 12% ao longo do horizonte de projeção desde a reunião de março.
Anatoli Annenkov, economista sénior para a Europa da Société Générale, disse que as previsões de inflação subjacente serão especialmente relevantes, sobretudo para 2027, porque vão mostrar o grau de confiança da equipa do BCE em novos efeitos de segunda ordem, tendo em conta a deterioração recente da atividade.
Mark Wall, diretor da Deutsche Bank Securities, referiu que o BCE deverá manter as expectativas do mercado relativamente inalteradas e que interpretar a reunião de junho como uma subida isolada não será suficiente para o banco central.

