A Etsy vai despedir cerca de 220 trabalhadores, o equivalente a aproximadamente 12% da sua força laboral, numa iniciativa para simplificar a estrutura organizacional e acelerar a inovação num setor de comércio eletrónico cada vez mais competitivo.
A CEO da Etsy, Kruti Patel Goyal, que assumiu a liderança no início deste ano, comunicou aos trabalhadores, numa nota interna, que estes cortes de postos de trabalho visam preparar a empresa para construir "a organização que acreditamos que a Etsy precisa para o futuro".
A empresa indicou que a maioria dos cortes afetará as equipas de produto e engenharia.
Os despedimentos foram anunciados em simultâneo com os resultados do segundo trimestre. A Etsy sublinhou, numa carta aos acionistas, que esta decisão não é um esforço de redução de custos, mas sim uma forma de aproveitar um período de forte dinamismo para avançar mais rapidamente e executar com maior foco.
A empresa acrescentou que os cortes não foram motivados por desenvolvimentos em inteligência artificial.
"Já me ouviram dizer que a nossa primeira prioridade era voltar a pôr o negócio a crescer", escreveu Patel Goyal na mensagem dirigida à equipa. "O nosso objetivo final, porém, sempre foi levar a Etsy para o próximo nível de crescimento, para podermos cumprir plenamente a nossa missão e o nosso potencial. Estamos agora no ponto em que precisamos de fazer essa transição, construir a equipa, a cultura e a organização que tornarão isso possível".
A Etsy opera um mercado digital conhecido pela oferta de produtos artesanais e peças de autor. O negócio cresceu de forma acentuada durante a pandemia de Covid-19, à medida que os consumidores recorriam em massa às compras online, mas teve dificuldades em manter esse ritmo depois do levantamento dos confinamentos e do regresso dos consumidores às lojas físicas.
A empresa enfrenta também uma pressão crescente para competir com rivais como a Amazon e a Walmart, bem como com novos intervenientes no comércio eletrónico, como a TikTok Shop e a Temu.
Sob a liderança de Patel Goyal e do seu antecessor, Josh Silverman, a Etsy tem procurado reforçar a reputação como mercado de produtos únicos, eliminando artigos massificados e genéricos de revendedores. Numa mensagem dirigida à Amazon, a empresa lançou em junho a campanha publicitária "Shop Other Jeffs" durante a promoção Prime Day do gigante do retalho, destacando "criadores não bilionários" chamados Jeff.
A Etsy tem também melhorado as capacidades de pesquisa no seu site, para apresentar resultados mais personalizados aos compradores e ajudá-los a descobrir produtos de forma mais rápida.
Até agora, as mudanças parecem estar a produzir resultados. No segundo trimestre, as vendas totalizaram 668,3 milhões de dólares, acima das estimativas de 649,1 milhões de dólares. As vendas no marketplace principal cresceram 9,3%.
A empresa reforçou a sua orientação anual para o volume bruto de mercadorias (gross merchandise sales, GMS), ou o valor em dólares dos artigos vendidos, prevendo agora um crescimento na faixa de um dígito médio, face à anterior previsão de crescimento de um dígito baixo. Para o terceiro trimestre, a Etsy antecipa um GMS entre 2,53 biliões e 2,58 biliões de dólares, acima das estimativas de consenso de 2,49 biliões de dólares.
A Etsy registou uma perda ajustada de 36 cêntimos por ação, comparando com ganhos ajustados de 25 cêntimos por ação um ano antes. A empresa explicou que estes resultados refletem o impacto da venda, em junho passado, do marketplace de instrumentos musicais Reverb.
Como parte da estratégia de concentração no negócio principal do marketplace, a Etsy tem vindo a alienar outras marcas do portefólio. No mês passado, concluiu a venda da Depop à eBay por 1,2 biliões de dólares, cerca de um ano depois de ter adquirido a plataforma de artigos em segunda mão por 1,6 biliões de dólares.

