O Federal Reserve injecta dezenas de milhares de milhões de dólares em operações de curto prazo, enquanto o Banco do Povo da China reforça liquidez com reverse repos. Medidas ajudam a estabilizar mercados mas ainda não representam QE.
Nesta semana, os bancos centrais voltaram a abrir as torneiras, o Federal Reserve realizou várias operações de recompra (repo), totalizando cerca de US$ 38 mil milhões, incluindo uma operação isolada de US$ 6,8 mil milhões, a primeira deste tipo desde 2020. O objetivo é evitar tensões de curto prazo no mercado monetário e manter as taxas interbancárias controladas.
Na China, o Banco do Povo da China (PBoC) injetou aproximadamente 422 mil milhões de yuans (cerca de US$ 60 mil milhões) através de reverse repos, garantindo que os bancos disponham de liquidez “razoavelmente abundante” para suportar crédito e atividade económica.
Porque é que isto importa para os mercados
As duas medidas, embora diferentes, atuam sobre o mesmo problema:
garantir que não falte dinheiro no sistema financeiro.
Os efeitos práticos incluem:
estabilidade das taxas de curto prazo
menor risco de stress bancário
condições de crédito mais suaves
aumento da confiança dos investidores
Estas intervenções são geralmente vistas como positivas para o mercado, pois reduzem riscos imediatos, diminuem a volatilidade e evitam choques de liquidez. No entanto, é importante notar que não se trata de QE: o Fed não está a expandir o balanço de forma permanente, e as operações de repo são temporárias, entrando e saindo do sistema quando os contratos expiram. Por isso, o efeito é bullish apenas a curto prazo, sem garantir uma tendência de alta prolongada.
Já a China adota uma abordagem mais consistente de apoio à economia, o que gera um impacto mais estrutural na região asiática e nas expectativas globais. Para que os efeitos se tornem duradouros, os mercados aguardam sinais de QE real nos EUA, cortes de juros previsíveis, inflação em queda sustentada e uma economia que evite recessão profunda.
Em resumo, as ações de ambos os bancos centrais demonstram que não querem arriscar a estabilidade financeira, oferecendo liquidez adicional que apoia os mercados de forma pontual e cirúrgica, sobretudo nos EUA.

