FED sobe taxas de juro pela primeira vez em três anos e sinaliza novo aumento em 2026

FED sobe taxas de juro pela primeira vez em três anos e sinaliza novo aumento em 2026

FED sobe taxas de juro pela primeira vez em três anos e sinaliza novo aumento em 2026

A Reserva Federal dos Estados Unidos aprovou esta quarta-feira o seu primeiro aumento das taxas de juro em mais de tres anos, indicando que podera ocorrer nova subida em breve. Esta decisao faz parte de um esforco concertado para combater a inflacao persistente, impulsionada pela escalada dos precos do petroleo e outros fatores economicos. Num movimento amplamente antecipado pelos mercados financeiros, o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou por unanimidade, com 12 votos a favor e nenhum contra, para aumentar a taxa de juro diretora em um quarto de ponto percentual, ou 25 pontos base. Com este ajuste, a taxa de fundos federais passa para um intervalo entre 3,75% e 4%.

No comunicado divulgado apos a reuniao, o comité afirmou que a inflacao permanece elevada e que a acao politica atual servira para apoiar um retorno mais célere ao objetivo de 2% definido pela instituicao. O FOMC reiterou o seu compromisso em garantir a estabilidade de precos. Apesar de algumas declaracoes contraditorias de varios decisores politicos nas ultimas semanas, os mercados ja tinham atribuido uma probabilidade superior a 90% a este aumento. A leitura de dados de inflacao persistentemente altos, juntamente com as intervencoes do Presidente Kevin Warsh ha algumas semanas, convenceram Wall Street de que o FED iria avancar com o primeiro agravamento do custo do dinheiro desde julho de 2023.

As projecoes atualizadas reveladas pelo comité mostram que uma maioria significativa de responsaveis acredita na possibilidade de outro aumento ainda durante este ano. O grafico de pontos, que ilustra as expectativas individuais dos membros, indicou que 16 dos 18 participantes preveem nova subida, sendo que quatro destes admitem mesmo dois aumentos adicionais. Apenas dois participantes esperam que o comité se fique por este movimento. No entanto, nao estao previstos aumentos para os anos seguintes, com as previsoes a apontarem para um corte em 2028 e pelo menos um em 2029. Os responsaveis tambem elevaram as suas expectativas para a inflacao este ano, situando o indice de precos de consumo pessoal (PCE) nos 3,7%.

O FED nao espera atingir a sua meta de inflacao antes de 2029, embora preveja que os indicadores recuem de forma acentuada em 2027. A mudanca de postura do banco central ocorreu no final de agosto, apos um periodo de manutencao das taxas durante quase todo o ano. Historicamente, a Reserva Federal raramente opta por um movimento isolado quando considera que a inflacao esta demasiado alta ou que a economia necessita de taxas elevadas. Desta vez, a fundamentacao para a subida e considerada invulgar, uma vez que o FED costuma ignorar choques temporarios, como os custos de combustivel derivados da guerra no Irão ou impactos de tarifas. Contudo, a estabilizacao do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego revista em baixa para 4,1%, pesou na decisao final.

Existe agora o receio de que a duracao dos elevados precos da energia possa contaminar as expectativas de inflacao e espalhar-se por toda a economia. Adicionalmente, os economistas apontam o investimento expandido em inteligencia artificial como um potencial fator inflacionista. A memoria do episodio de inflacao transitoria de ha uns anos ainda esta presente na mente dos decisores, que viram os precos atingir máximos de 40 anos antes de decidirem agir. No mercado de divida, os rendimentos das obrigações do Tesouro têm registado subidas acentuadas, com a nota a 10 anos a subir cerca de um quarto de ponto percentual desde o simposio de Jackson Hole. Os custos de emprestimo tambem estao a subir, com as hipotecas de taxa fixa a 30 anos a atingirem os 7,19%.

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