Boa segunda-feira. Os amantes de parques nacionais devem prestar atenção: a Casa Branca está a ponderar uma troca de terrenos em Yosemite com um promotor privado.
Os futuros sobre ações estão em baixa esta manhã, após uma semana positiva para os três principais índices norte-americanos.
Segue-se um resumo dos cinco pontos principais que os investidores devem conhecer para iniciar a sessão.
Reuniões do G20 com foco em tarifas e sanções
Líderes financeiros e responsáveis de política monetária reúnem-se esta semana em Asheville, na Carolina do Norte, para encontros do G20, onde as tarifas dos Estados Unidos sobre parceiros comerciais e as sanções ao Irão deverão estar entre os principais temas.
A guerra comercial entre os Estados Unidos e o Canadá voltou a intensificar-se antes da reunião, com o foco a recair sobre minerais críticos. Ao mesmo tempo, a decisão da Coreia do Sul de desvalorizar alegações no Congresso norte-americano sobre discriminação contra a empresa Coupang, sediada nos EUA, deixou a relação entre os dois países em terreno frágil, aumentando a perspetiva de eventuais tarifas de retaliação sobre Seul.
Os reembolsos de tarifas têm sido um tema central nos resultados recentes dos retalhistas, mas nem todas as empresas os tratam da mesma forma. Essa divergência está a tornar a análise mais complexa para Wall Street.
O Departamento do Tesouro terá impedido alguns jornalistas de participar nas reuniões do G20 desta semana.
Entre os intervenientes de maior destaque nas reuniões figuram o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o CEO da Goldman Sachs, David Solomon.
Agosto positivo para Wall Street, apesar da volatilidade
É o último dia de agosto e Wall Street prepara-se para registar um mês positivo, ainda que turbulento. A impulsionar as ações em agosto esteve o setor tecnológico, com ganhos significativos em empresas como Nvidia, Microsoft e Micron.
O Nasdaq Composite, com forte peso tecnológico, e o S&P 500 avançaram cerca de 4% e 3%, respetivamente, em agosto, ficando em vias de registar o primeiro mês positivo em três. O Dow Jones Industrial Average ganhou cerca de 2%, o que aponta para o quinto mês consecutivo de valorização.
No entanto, o fecho pode ser instável. Os futuros sobre ações estão a recuar esta manhã após a reativação de confrontos envolvendo o Irão.
Troca de ataques entre EUA e Irão e impacto no petróleo
O Irão terá atacado hoje duas bases norte-americanas na Jordânia, depois de forças dos Estados Unidos terem atingido dois lançadores de rockets na ilha de Larak, pertencente a Teerão. Este episódio marca a primeira troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irão em mais de um mês.
Os ataques norte-americanos de domingo, confirmados pelo Comando Central dos EUA, ocorreram num contexto em que os militares norte-americanos estavam preocupados com a possibilidade de forças iranianas se prepararem para lançar rockets com minas marítimas para o Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo sobem mais de 3% esta manhã após estes desenvolvimentos. Na sexta-feira, Donald Trump anunciou também um acordo com a Venezuela para controlo de mais de 65 biliões de barris de reservas de petróleo, afirmando que o acordo seria obtido sem qualquer custo para os contribuintes norte-americanos.
Tecnologia enfrenta crescente desconfiança
Há vários anos que os executivos de tecnologia apresentam os seus produtos como instrumentos para melhorar o mundo. Contudo, os norte-americanos mostram-se cada vez mais céticos, à medida que a reação negativa à inteligência artificial se soma ao chamado momento de "Big Tobacco" das redes sociais.
Um relatório recente do Pew Research Center apurou que mais de metade dos norte-americanos se sente mais preocupada do que entusiasmada com o aumento da utilização de IA no quotidiano, acima dos 37% registados em 2021. Um inquérito a jovens adultos nos Estados Unidos concluiu ainda que a confiança destes nos executivos das empresas de IA é ainda mais baixa.
Paralelamente, aumentam as preocupações sobre o impacto das redes sociais nos mais jovens. A Meta concordou na semana passada com um acordo de quase 17 biliões de dólares para encerrar um processo relacionado com dependência de redes sociais, interposto por um grupo de procuradores-gerais estaduais. Mike Moore, antigo procurador-geral do Mississippi que enfrentou a indústria do tabaco, está agora a ajudar os procuradores-gerais estaduais a preparar um possível acordo global com as empresas de redes sociais.
Economia em "sopa de letras" e desigualdade
Os economistas têm descrito a recuperação económica pós-pandemia como uma recuperação em forma de "K". Atualmente, existe menos consenso sobre a forma que melhor caracteriza a economia, com alguns a ponderar se um "C" ou um "E" não serão mais adequados. Para Joel Mokyr, historiador económico laureado com o Prémio Nobel, esta discussão pode transformar-se numa verdadeira "sopa de letras".
O recurso a letras para descrever o estado da economia existe há décadas. A escolha de uma letra tende a ser mais popular após uma recessão, mas é incomum ver esta discussão tão amplamente debatida anos depois do início da recuperação. O facto de isso acontecer hoje pode refletir uma maior consciência em relação à desigualdade de riqueza nos Estados Unidos.
Agenda económica e empresarial da semana
Ao longo desta semana, os investidores vão acompanhar vários dados económicos e resultados empresariais:
Terça-feira: resultados de Palo Alto Networks e Dell Technologies após o fecho da sessão; publicação do relatório JOLTS (Job Openings and Labor Turnover Survey) relativo a julho.
Quarta-feira: resultados de Hewlett Packard Enterprise, Snowflake e Broadcom após o fecho; relatório de emprego privado da ADP referente a agosto; divulgação do Beige Book da Reserva Federal.
Quinta-feira: resultados de Lululemon e ZScaler após o fecho.
Sexta-feira: relatório de criação de emprego não agrícola relativo a agosto.
Vários jornalistas e equipas colaboraram na elaboração desta carta de mercados, bem como na produção e edição desta edição.

