Goldman Sachs lança plataforma de mercados privados para investidores ricos

Goldman Sachs lança plataforma de mercados privados para investidores ricos

Goldman Sachs lança plataforma de mercados privados para investidores ricos

A Goldman Sachs criou uma nova plataforma para reforçar a oferta a clientes de elevado património e family offices que procuram cada vez mais participações diretas em empresas privadas em forte crescimento.

O novo grupo, designado plataforma de investimentos alternativos, junta o negócio existente de alternativos da Goldman Sachs a duas equipas recentemente criadas, de acordo com um memorando interno.

Estas novas equipas concentram-se em investimentos diretos em empresas privadas individuais, em vez de fundos alargados de private equity, e em apoiar os clientes na compra e venda dessas participações, segundo o mesmo documento.

"Tem havido um grande foco nos grandes nomes tecnológicos de crescimento e em garantir aos clientes acesso a esses ativos antes de estes chegarem aos mercados públicos", afirmou Kristin Olson, responsável global de alternativas para clientes de riqueza da Goldman Sachs.

O movimento da Goldman reflete duas das principais tendências que estão a transformar Wall Street. Por um lado, o banco tem aprofundado há vários anos a aposta na gestão de riqueza e de ativos, por serem vistos internamente como fontes de receitas mais estáveis do que o banco de investimento e a atividade de trading. Por outro, as start-ups de maior sucesso permanecem privadas durante muito mais tempo do que no passado, permitindo que os primeiros investidores capturem a maior parte dos ganhos antes de os investidores de bolsa terem oportunidade de participar.

"As empresas estão a ir para bolsa com avaliações de 1 trilião de dólares", disse Olson. "Se não tiver participado ao longo do percurso, está claramente a perder uma parte importante do ciclo de crescimento."

Segundo Olson, a Goldman tem vindo a estruturar investimentos diretos em empresas privadas em fases mais avançadas para clientes ricos há cerca de duas décadas, citando o exemplo do Facebook antes do IPO de 2012 e, mais tarde, SpaceX, Stripe e Canva. Mas o aumento da procura por esta classe de ativos levou a gestão a autonomizar o negócio, acrescentou.

O objetivo do banco, referiu Olson, é ajudar os clientes a identificar empresas promissoras antes de se tornarem nomes familiares.

Em vez de procurar start-ups em fases muito iniciais, Olson explicou que a Goldman se concentra, em geral, em empresas numa fase mais madura, que já dispõem de produtos estabelecidos, geram receitas significativas e apresentam trajetórias mais claras em direção à rentabilidade, procurando aquilo que descreveu como um "ponto ideal" entre risco e retorno.

A vaga de investimento em inteligência artificial intensificou ainda mais a procura. Para além dos principais desenvolvedores de modelos, a Goldman está a direcionar cada vez mais os clientes para investimentos na infraestrutura que suporta a IA, incluindo centros de dados e projetos associados, adiantou Olson.

O anúncio surge poucos dias depois de a Goldman ter reportado receitas trimestrais recorde, com a gestão a destacar atividade relacionada com IA nas áreas de banco de investimento, trading e financiamento. Os resultados reforçaram a perceção de que a Goldman está bem posicionada para beneficiar de múltiplas vertentes do ciclo de investimento em IA.

A iniciativa formaliza também o crescimento do negócio da Goldman dedicado a ajudar clientes a encontrar liquidez para investimentos privados.

Através do novo grupo de consultoria em operações secundárias, o banco pretende expandir um mercado que permite aos clientes comprar e vender participações privadas, ao mesmo tempo que presta aconselhamento a investidores que queiram sair de posições detidas fora da Goldman.

"Decidimos autonomizar esta área e defini-la de forma muito clara como algo em que estamos a apostar", afirmou Olson.

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