A governadora da Reserva Federal norte-americana, Lisa Cook, afirmou na quarta-feira que está preparada para apoiar uma subida das taxas de juro caso os dados de inflação não mostrem uma melhoria sustentada.
"A inflação está demasiado elevada, e considero que, neste momento, os riscos do lado da inflação, dentro do duplo mandato, são superiores aos riscos do lado do emprego", declarou Cook num discurso em Anchorage, no Alasca. "Assim, estou preparada para atuar, aumentando as taxas, se necessário."
A responsável reconheceu que os dados de junho apontaram para um abrandamento da inflação, em grande medida devido a uma forte queda dos preços da energia. No entanto, alertou que não se deve tirar conclusões excessivas de um único número, sobretudo quando o ritmo de subida dos preços continua bastante acima do objetivo de 2% da Fed.
Cook integrou a maioria de 9-3 que votou, na semana passada, pela manutenção da taxa diretora da Fed numa faixa entre 3,5% e 3,75%. Explicou que o seu voto refletiu a vontade de observar com mais atenção como é que o eventual esmorecimento dos efeitos das tarifas, o choque de oferta de energia ligado à guerra no Irão e as pressões provenientes do desenvolvimento da inteligência artificial vão impactar a evolução dos preços.
"Se não observar sinais de desinflação contínua em breve, estou preparada para atuar", reforçou Cook. "Com cinco anos de inflação acima da meta, aumenta o risco de uma inflação mais elevada se tornar entranhada nos comportamentos de fixação de preços e salários, criando uma persistência que seria muito mais difícil para nós combater. Quanto mais tempo a inflação permanecer acima da meta, mais provável se torna este cenário."
A governadora assinalou que noutros contextos a Fed poderia esperar mais tempo antes de agir, mas, segundo afirmou, "não temos esse luxo neste".
Os mercados antecipam que o banco central possa atuar já em setembro, embora atribuam maiores probabilidades a um movimento em outubro, com base nas projeções de operadores sobre a trajetória da política monetária. Mais cedo, o presidente da Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, um dos três votos dissidentes na última decisão sobre taxas, afirmou que continua a considerar necessário um nível de juros mais elevado.

