Os maiores bancos dos Estados Unidos preparam-se para apresentar os resultados financeiros relativos ao terceiro trimestre durante esta semana, definindo o tom geral para o restante período de prestação de contas corporativas em Wall Street. No total, 25 cotadas do índice S&P 500 têm divulgações programadas para os próximos dias. A apresentação destes números surge num momento sensível para o mercado acionista. Embora o S&P 500 tenha atingido um recorde histórico na semana passada, o índice de referência tem registado volatilidade recente, impulsionada pelo aumento dos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano e pela subida das cotações do petróleo, fatores que reacenderam os receios de que a FED possa aumentar ainda mais as taxas de juro para travar a inflação.
Abertura da época de apresentações na terça-feira
A ronda de divulgações arranca com força na terça-feira antes da abertura oficial do mercado, com o JPMorgan Chase, o Goldman Sachs, o Citigroup e o Wells Fargo a revelarem as suas contas. Para o JPMorgan Chase, os analistas antecipam um crescimento de lucros na ordem dos dois dígitos face ao período homólogo, após ter registado um aumento de 41% nos lucros do trimestre anterior. Analistas da Seaport Research Partners manifestaram prudência, sublinhando que, apesar da revisão em alta nas estimativas para o rendimento líquido de juros, as projeções para as despesas situam-se acima do consenso. Historicamente, segundo a Bespoke Investment Group, a instituição supera as previsões em 82% das ocasiões, embora as suas ações tenham recuado após quatro das últimas cinco divulgações de resultados.
No Goldman Sachs, após uma subida de 55% nas comissões de banca de investimento no trimestre transato, o consenso aponta para um crescimento homólogo de 10% na receita e de cerca de 6% nos lucros. A equipa da TD Cowen atribuiu recentemente uma recomendação de compra à instituição, salientando que a entidade está a capitalizar a sua dimensão para retirar partido de condições favoráveis nos mercados de capitais e nos preços dos ativos. O banco superou as expectativas de lucro durante 12 trimestres consecutivos. Já o Citigroup, que havia alcançado a sua receita trimestral mais elevada numa década, deverá reportar um acentuado crescimento homólogo nos lucros. A Jefferies mantém uma recomendação favorável para o banco, fundamentada na disciplina de despesas e no aumento do retorno de capital, apesar de o título ter caído após duas das últimas três apresentações financeiras.
A fechar o lote de terça-feira, o Wells Fargo enfrenta o escrutínio do mercado depois de as suas ações terem recuado 13% no último mês, o pior desempenho entre os seis grandes bancos norte-americanos. As previsões apontam para um crescimento de lucros superior a 10%. Dados históricos da Bespoke indicam que os resultados líquidos da instituição superaram as estimativas em 10 trimestres consecutivos, ainda que as ações tenham caído após sete dessas divulgações.
Quarta-feira com atenções focadas no Morgan Stanley e Bank of America
Na quarta-feira, as atenções viram-se para o Morgan Stanley e o Bank of America. O Morgan Stanley, que registou receitas recorde no trimestre passado suportado pela negociação de ações, deverá apresentar um avanço de quase 10% na sua receita total. Analistas da Citizens mantêm uma recomendação neutra para o título, prevendo uma descida expressiva nas receitas de negociação face ao segundo trimestre e ajustando em baixa as projeções para a banca de investimento devido à menor conclusão de transações no período. Em termos históricos, as ações da entidade valorizaram após as últimas quatro divulgações financeiras.
Por fim, o Bank of America deverá registar um crescimento de um dígito tanto nos lucros como nas receitas. Analistas do Barclays antecipam resultados mistos, prevendo um aumento trimestral de 2% no rendimento líquido de juros e progressão sólida em empréstimos e depósitos, embora alertem que as áreas de negociação e banca de investimento possam ficar aquém dos concorrentes diretos. O banco costuma superar as projeções de lucros em 81% dos trimestres, tendo as suas ações subido após as duas apresentações mais recentes.


