Os hedge funds sistemáticos, em particular os CTAs (Commodity Trading Advisors), injetaram 86 mil milhões de dólares em ações ao longo dos últimos cinco dias de negociação, segundo uma nota do Goldman Sachs divulgada na quinta-feira e consultada esta sexta-feira, 17 de abril de 2026. Esta onda de compras, uma das maiores da história, reflete a confiança crescente dos investidores no mercado accionista, estimulada pelo abrandamento das tensões no Irão e perspetivas de resolução de conflitos no Médio Oriente.
Motivações por trás da procura recorde
Estes fundos, que operam com base em algoritmos e sinais de mercado em vez de análises económicas tradicionais, seguiram tendências ascendentes nas bolsas globais. Desde o início de abril, quando os mercados inverteram a trajetória descendente provocada pela escalada militar iraniana em março, os hedge funds sistemáticos tornaram-se compradores consistentes de ações. O otimismo deve-se ao alívio geopolítico: após meses de volatilidade com subidas acentuadas no petróleo e quedas nos índices accionaristas, sinais de negociações de paz no Irão reduziram o prémio de risco, permitindo que os ativos recuperem níveis próximos dos máximos históricos.
O ritmo de compras compara-se a episódios históricos como agosto de 2024, novembro de 2023 e setembro de 2019, destacando-se como uma das cinco maiores frentes de procura registadas. Esta atividade contrasta com março, quando os hedge funds sofreram as maiores perdas em seis anos devido à intensificação do conflito iraniano, que gerou volatilidade histórica e reposicionamentos para taxas de juro mais elevadas em 2026.
Previsões do Goldman Sachs para os próximos dias
O Goldman Sachs calcula que, se as tendências se mantiverem, estes especuladores possam adicionar outros 70 mil milhões de dólares em exposição accionista nos próximos cinco dias de negociação. Tal perspetiva baseia-se na continuidade dos movimentos de alta nos mercados, apoiados por fluxos dominantes de estratégias de seguimento de tendências. As bolsas globais pairam perto de máximos, com os CTAs a amplificar o impulso através de posições longas automáticas.
Contexto mais amplo dos fluxos de fundos
No quadro global, os fluxos para fundos de investimento de gestão aberta regulados atingiram 629 mil milhões de euros no segundo trimestre de 2025, com ações a registarem entradas de 67 mil milhões de euros, embora inferiores ao trimestre anterior. Estes dados da EFAMA ilustram um apetite sustentado por risco, agora reforçado pelo atual entusiasmo dos hedge funds. Em Portugal, o foco mantém-se em fundos qualificados para o Golden Visa, como o da Optimize, que duplicou ativos para 350 milhões de euros em seis meses, com 74% em ações de empresas nacionais cotadas, mas sem ligação direta a este movimento global.
Esta injeção massiva de liquidez por parte dos hedge funds sistemáticos sinaliza uma viragem no sentimento de mercado, onde o risco geopolítico cedente espaço ao potencial de valorização dos ativos. Investidores individuais e institucionais monitorizam estes fluxos, pois reforçam a tendência de alta das bolsas num ambiente de recuperação pós-tensões.


