A Honeywell International, conglomerado industrial norte-americano sediado em Charlotte, na Carolina do Norte, divulgou esta quinta-feira, 23 de abril de 2026, os resultados do primeiro trimestre, que revelaram um desempenho misto. As acções caíram 5,6% no pré-mercado depois de a empresa ter projectado receitas abaixo das expectativas de Wall Street para o segundo trimestre, pressionadas pelas perturbações geopolíticas no Médio Oriente que afectam as cadeias de abastecimento e pesam sobre a actividade industrial.
Resultados do primeiro trimestre superam em lucros mas faturação dececiona
No trimestre encerrado a 31 de março de 2026, a Honeywell reportou uma faturação de 9,14 mil milhões de dólares, um crescimento de 2% face ao período homólogo, mas abaixo das estimativas dos analistas de 9,31 mil milhões de dólares. Apesar disso, o lucro ajustado por acção subiu 11% para 2,45 dólares, superando as estimativas de 2,32 dólares e marcando o sétimo trimestre consecutivo de superação dos resultados. O resultado líquido caiu 43,3% para 821 milhões de dólares, penalizado por encargos relacionados com a reestruturação da dívida e imparidades de activos, enquanto o lucro por acção GAAP recuou 35% para 1,29 dólares devido aos custos elevados de reestruturação.
Previsão para o segundo trimestre penalizada pelo conflito no Médio Oriente
A principal razão para a queda das acções foi a guidance para o segundo trimestre, com a Honeywell a prever faturação entre 9,4 e 9,6 mil milhões de dólares, abaixo dos 9,73 mil milhões do consenso da LSEG. As perturbações foram particularmente visíveis no segmento de Process Automation and Technology, onde a actividade de aftermarket abrandou e os prazos de entrega foram adiados. O conflito intensificou as pressões inflacionistas em matérias-primas, energia e logística a nível global, embora o CEO Vimal Kapur tenha descrito os desafios como disrupções tácticas, sem afectar a procura fundamental. O fluxo de caixa livre caiu 71% para 56 milhões de dólares, reflectindo os custos mais elevados ligados à reestruturação e a despesas com litígios.
Reestruturação e desinvestimentos ganham ritmo
A Honeywell está a avançar com planos para separar a sua estrutura de conglomerado em três entidades independentes focadas em automação, aeroespacial e materiais avançados. A cisão da Honeywell Aerospace está prevista para 29 de Junho, sujeita a aprovações finais. Em paralelo, a empresa acordou a venda do negócio de soluções de produtividade à Brady por 1,4 mil milhões de dólares e anunciou a venda da unidade de soluções de armazém e fluxo de trabalho à empresa de capital privado American Industrial Partners, com encerramento esperado para a segunda metade de 2026. Estas operações visam simplificar o portefólio da empresa e concentrar o foco em áreas de maior crescimento.
Perspectivas anuais inalteradas e desempenho relativo
Apesar dos ventos contrários de curto prazo, a Honeywell manteve as previsões para o ano fiscal de 2026, com faturação entre 38,8 e 39,8 mil milhões de dólares e lucros ajustados por acção entre 10,35 e 10,65 dólares. A empresa referiu que os ganhos de preços e os esforços para eliminar custos fixos associados à cisão do Aerospace estão a compensar as pressões inflacionistas. Apesar da volatilidade recente, as acções da Honeywell valorizaram 12,8% em 2026, superando o índice S&P 500, que subiu 4,3% no mesmo período.


