A IBM apresentou resultados do primeiro trimestre de 2026 que superaram as expectativas dos analistas, mas o mercado puniu severamente as acções da empresa numa reacção que reflecte preocupações mais amplas sobre a disrupção causada pela inteligência artificial.
A empresa reportou lucro por acção de 1,91 dólares, batendo a estimativa consensual de 1,81 dólares, enquanto a receita trimestral atingiu 15,9 mil milhões de dólares, superando a previsão de 15,62 mil milhões. A receita cresceu 9 por cento em termos nominais face ao trimestre anterior, embora tenha desacelerado relativamente aos 12,2 por cento registados no período anterior.
Apesar destes números positivos, as acções da IBM sofreram a maior queda diária em mais de 25 anos na segunda-feira (23 de abril), depreciando-se 13,2 por cento. O mercado de capitalização da empresa contraiu aproximadamente 30 mil milhões de dólares num único dia. Esta reacção extrema foi desencadeada principalmente por comunicações da startup Anthropic sobre ferramentas de IA que podem modernizar sistemas COBOL, uma linguagem de programação legada amplamente utilizada nos sistemas mainframe da IBM.
A desaceleração no segmento crítico de software agravou as preocupações dos investidores. O crescimento da divisão de software abrandou para 11,3 por cento neste trimestre, comparado com 14 por cento no período anterior. Em termos de moeda constante, o crescimento do software atingiu apenas 8 por cento, reflectindo sinais de arrefecimento após períodos de maior expansão.
A divisão de infraestrutura manteve melhor desempenho, com receita a crescer 15 por cento nominalmente, ou 12 por cento em moeda constante, atingindo um máximo trimestral. A consultoria registou crescimento de 4 por cento, ou 1 por cento em moeda constante, indicando pressão neste segmento.
Apesar do contexto adverso, a direcção da empresa, liderada pelo presidente e director executivo Arvind Krishna, reafirmou confiança na trajectória de crescimento impulsionada pela inteligência artificial. A IBM manteve as suas previsões para 2026, esperando um crescimento de receita superior a 5 por cento em moeda constante e um aumento de aproximadamente mil milhões de dólares no fluxo de caixa livre comparativamente com o ano anterior.
Os analistas mantêm uma posição globalmente positiva sobre a empresa. A Jefferies, que recentemente reduziu o seu preço-alvo de 370 dólares para 320 dólares na sexta-feira (20 de abril), mantém uma classificação de Compra. O consenso analítico situa-se em Compra, com um preço-alvo médio de 303,27 dólares.
O fluxo de caixa livre da IBM atingiu 2,2 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, em aumento face ao período homólogo anterior. A margem bruta operacional expandiu-se 110 pontos base, atingindo 57,7 por cento, enquanto a margem de lucro operacional cresceu 140 pontos base para 13,4 por cento.
A empresa regressou 1,6 mil milhões de dólares aos acionistas em dividendos durante o trimestre e anunciou um aumento do dividendo para 1,69 dólares por acção. Adicionalmente, a IBM concluiu a aquisição da Confluent, reflectindo uma estratégia de consolidação no espaço de dados e processamento em tempo real.
A queda extrema das acções da IBM enquadra-se num contexto mais amplo de pressão sobre o sector do software. Um grande ETF de software recuou 27 por cento no acumulado do ano, encaminhando-se para o pior desempenho trimestral desde a crise financeira de 2008. Analistas como Daniel Ives da Wedbush Securities caracterizaram a reacção do mercado como exagerada, considerando-a uma sobreposição de temores geralizados sobre a disrupção causada pela inteligência artificial.


