A taxa de inflação homóloga no Reino Unido acelerou para 3,5% em setembro, superando as previsões dos economistas que apontavam para um valor de 3,4%. Este avanço representa uma subida considerável face aos registos de 3,1% em agosto e de 2,9% em julho, marcando a leitura anual mais elevada em quase um ano. O principal motor desta aceleração foi o aumento expressivo nos preços dos combustíveis rodoviários, refletindo a vulnerabilidade britânica face a choques energéticos externos, numa altura em que o país continua a ser um importador líquido de energia.
Segundo os dados oficiais divulgados pelo gabinete de estatísticas britânico, os preços dos combustíveis para veículos dispararam 29,8% no acumulado de doze meses até setembro. Trata-se do nível mais alto nesta categoria específica desde agosto de 2022, período em que os custos de energia tinham disparado no rescaldo da invasão da Ucrânia pela Rússia. Atualmente, o conflito militar entre os Estados Unidos e o Irão, juntamente com os consequentes constrangimentos na circulação de petróleo através do Estreito de Ormuz, volta a pressionar de forma aguda as cadeias de abastecimento e os custos de energia no Reino Unido.
Pressão sobre o Banco de Inglaterra e a política monetária
Nos mercados financeiros, a reação imediata foi contida, com a libra esterlina a manter-se estável face ao euro e ao dólar norte-americano, enquanto os rendimentos da dívida pública soberana pouco se alteraram. Contudo, os analistas alertam que o aumento generalizado dos preços apagou os progressos observados na primavera e reforçou fortemente os argumentos a favor de um aperto na política monetária. Para além dos custos energéticos diretos, a aceleração verificada no setor dos serviços gera apreensão crescente quanto a efeitos de segunda ordem na economia britânica.
Perante este quadro, os mercados financeiros atribuem agora uma probabilidade de 98% a uma subida de 25 pontos base na taxa de juro diretora pelo Banco de Inglaterra na sua próxima reunião de novembro, elevando a taxa para 4%. Adicionalmente, a maioria dos operadores antecipa outro agravamento de magnitude semelhante no último encontro do ano, agendado para dezembro, com o objetivo de conter a subida persistente dos custos de vida.
Desafios orçamentais e o peso da dívida pública
O aumento da inflação complica igualmente o plano fiscal do governo britânico antes da apresentação do Orçamento de outono, agendada para a próxima semana. O chanceler do Tesouro, John Healey, enfrenta a difícil tarefa de respeitar as regras orçamentais destinadas a travar a dívida pública, enquanto tenta responder aos apelos para atenuar o encargo sobre os agregados familiares. O desafio torna-se ainda mais exigente após dados revelarem que a dívida nacional britânica ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 3 triliões de libras (cerca de 4 triliões de dólares) em setembro.
Com os encargos do serviço dessa dívida a subirem de forma acentuada e a economia britânica a evidenciar dificuldades em expandir-se, a margem de manobra fiscal ficou substancialmente reduzida. Em declarações oficiais, o ministro das finanças garantiu que manterá a disciplina orçamental, procurando simultaneamente fomentar o crescimento e proporcionar algum alívio a empresas e famílias. No entanto, os economistas avisam que o executivo terá de apresentar um plano rigoroso e credível para evitar alimentar ainda mais as pressões inflacionistas que agora assolam o país.


