A taxa de inflacao homologa no Reino Unido registou uma subida para os 3,1% no mes de agosto, impulsionada essencialmente pelo forte encarecimento da gasolina e do gasoleo. Este indicador, que se situou em linha com as previsoes dos analistas, representa o primeiro registo da inflacao acima do patamar dos 3% desde marco passado. De acordo com o instituto de estatistica britanico, a aceleracao dos precos foi maioritariamente influenciada pelos custos dos combustiveis rodoviarios, que registaram um aumento expressivo de 23% em termos homologos.
O preco medio da gasolina aumentou 9,1 pence por litro entre julho e agosto, elevando os valores para o nivel mais alto registado desde novembro de 2022. Por sua vez, o gasoleo registou um acrescimo medio de 14,2 pence por litro no mesmo periodo. Esta trajetoria ascendente ocorre num momento em que o petroleo bruto continua a negociar acima dos 100 dolares por barril, refletindo as tensoes geopoliticas no Medio Oriente. Adicionalmente, os custos da eletricidade, do gas e de outros combustiveis domesticos registaram um avanco de 6% em termos homologos durante o mes de agosto.
A subida dos precos mantem a pressao sobre o custo de vida das familias britanicas, numa altura em que o pais ainda lida com as consequencias da crise inflacionista pos-pandemia. No mercado de divida publica, os rendimentos das obrigacoes do Estado britanico registaram uma trajetoria de queda generalizada apos a divulgacao destes dados. O rendimento dos titulos a 30 anos recuou cerca de 2 pontos base para os 5,907%, enquanto a taxa de referencia a 10 anos desceu perto de 3 pontos base, fixando-se nos 5,365%. A libra esterlina manteve-se estavel face ao dolar e ao euro.
Este comportamento da inflacao antecede a reuniao de politica monetaria do Banco de Inglaterra. Os operadores de mercado atribuem uma probabilidade superior a 80% de que a instituicao decida manter a taxa de juro de referencia inalterada nos 3,75%, embora antecipem um possivel agravamento na reuniao de novembro. Analistas do setor financeiro sublinham que, apesar do impacto direto da energia, nao existem sinais claros de que este choque de custos esteja a alastrar-se de forma estrutural a outras categorias de consumo, como a alimentacao, que desacelerou para 1,1% em agosto.
Contudo, a persistencia de custos energeticos elevados podera condicionar o consumo privado no ultimo trimestre do ano, tradicionalmente crucial para a rentabilidade do comercio a retalho. Com as familias a absorverem as despesas de regresso as aulas e perante a perspetiva de taxas de juro elevadas por mais tempo, a procura podera registar um abrandamento. Os analistas alertam ainda para os riscos de efeitos de segunda ordem na economia, caso as empresas comecem a repercutir o aumento dos custos de producao nos precos finais ao consumidor.


