Investidores exigem rentabilidade na expansao internacional das empresas chinesas

Investidores exigem rentabilidade na expansao internacional das empresas chinesas

Investidores exigem rentabilidade na expansao internacional das empresas chinesas

Os investidores em acoes mantem uma postura de ceticismo relativamente a acelerada expansao internacional das empresas chinesas. A prioridade dos mercados financeiros passou a concentrar-se na rentabilidade real destas operacoes alem-fronteiras, em vez de premiar apenas o mero crescimento de volume, destacou Trina Chen, corresponsavel pela analise de acoes para a regiao da Grande China na Goldman Sachs Research. A debilidade da procura por parte dos consumidores no mercado domestico chines tem impelido multiplas empresas, incluindo fabricantes de automoveis eletricos, a intensificar as respetivas estrategias de internacionalizacao. Um dos exemplos mais recentes deste movimento pertence a fabricante Geely, que anunciou planos para iniciar operacoes no Canada ja no proximo ano.

As projecoes elaboradas pela equipa de analise da entidade bancaria, divulgadas num relatorio de 14 de setembro, apontam para que a quota de mercado internacional das empresas chinesas alcance 31% ate 2035, um salto expressivo face aos cerca de 18% registados anteriormente. Esta avaliacao abrangeu mais de dez setores de atividade, destacando-se areas como os servicos de entregas expresso, a robotica industrial e os eletrodomesticos da chamada linha branca, como os aparelhos de ar condicionado. No exterior, os negocios chineses encontram frequentemente margens de lucro superiores as que conseguem obter a nivel interno, o que lhes permite praticar precos inferiores aos dos concorrentes locais e conquistar terreno rapidamente.

O receio da autodestruicao de precos e das barreiras geopoliticas

Apesar destas vantagens competitivas, os investidores necessitam de garantias de que esta expansao global nao culminara num fenomeno semelhante a involucao observada no mercado interno chines, caracterizada por uma concorrencia desenfreada que destoi completamente os precos e a rentabilidade. Trata-se de uma corrida para o fundo contra a qual os proprios reguladores chineses tem procurado intervir nos ultimos anos. Alem do risco de deflacao tarifaria gerado pela concorrencia interna transportada para o estrangeiro, a pressao geopolitica e as crescentes restricoes de acesso a mercados chave representam um fardo significativo sobre o desempenho das acoes destas cotadas.

Devido a este ambiente de incerteza operacional e regulamentar, as oportunidades decorrentes da expansao internacional estao praticamente ausentes das avaliacoes atuais dos titulos cotados, nao se encontrando refletidas no preco das acoes chinesas. Por outro lado, foi sublinhado que o mercado acionista e implacavel quando as empresas estabelecidas comecam a perder a sua posicao competitiva. Um recuo de apenas 10% a 15% na quota de mercado de uma empresa incumbente pode desencadear uma contracao severa de 50% a 80% na sua capitalizacao bolsista global, punindo fortemente a inercia operacional.

O avanco geografico das empresas chinesas ultrapassa largamente os destinos tradicionais como os Estados Unidos e a Europa. O crescimento mais acelerado tem vindo a registar-se em economias emergentes, onde os grupos empresariais exploram regioes desprovidas de oferta adequada por parte dos concorrentes ocidentais. Em linha com esta transformacao estrutural, a consultora Euromonitor salientou recentemente que as marcas chinesas deixaram de ser meras desafiadoras para se tornarem concorrentes duradouros e consolidados, apresentando capacidade comprovada para reformular a dinamica concorrencial em regioes como a America Latina.

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