Empresas nativas de inteligência artificial já superam, em muitos casos, a escala de receita que consagrou unicórnios de software, abrindo caminho para uma nova geração de IPOs bilionários em 2026.
O ano de 2026 promete marcar uma nova era de IPOs de grande escala em tecnologia, com destaque para empresas nativas de inteligência artificial (IA). Estas empresas já atingiram uma escala de receitas suficiente para competir com os maiores unicórnios de software, abrindo caminho para ofertas públicas bilionárias.
Primeiro, precisamos de saber o que é ARR:
ARR (Annual Recurring Revenue) ou Receita Anual Recorrente é uma métrica utilizada por empresas de software e serviços por subscrição para medir a receita previsível anual derivada de contratos recorrentes. Quanto maior o ARR, maior a capacidade da empresa de gerar receita consistente, tornando-a mais atraente para investidores e para um IPO de grande dimensão.
Para perceber melhor:
Imagina uma app que cobra 10€ por mês a cada utilizador.
Se tiveres 10.000 utilizadores a pagar todos os meses, a tua ARR é 10€ × 10.000 × 12 meses = 1,2 milhões de euros por ano.
“Liga dos 1B+ ARR”: potenciais IPOs gigantes
Na categoria de empresas com mais de 1 mil milhão de dólares em ARR, destacam-se:
OpenAI – líder em modelos fundacionais e plataformas de IA generativa, utilizadas globalmente por consumidores e empresas.
Anthropic – focada em IA segura, com modelos Claude e parcerias estratégicas com grandes tecnológicas.
Databricks – plataforma unificada de dados e IA, com métricas de “late-stage” e histórico de avaliações muito elevadas.
xAI – projeto de IA generativa com grande potencial mediático.
Canva – integra intensivamente IA em design e produtividade, com escala global, embora não seja uma empresa puramente de IA.
Estas empresas operam numa escala de 1B+ ARR, ultrapassando os critérios históricos de receita para um IPO tecnológico de grande capitalização.
Pipeline “mid cap”: 200–500M+ ARR
Empresas com ARR entre 200 e 500 milhões de dólares também se aproximam da escala necessária para um IPO de média capitalização, incluindo:
Perplexity, Synthesia, ElevenLabs, Glean, Gong, Dataiku.
Estas empresas atuam em nichos como pesquisa assistida por IA, vídeo sintético, voz generativa, produtividade comercial e plataformas de dados analíticos, capturando orçamentos que antes iam para serviços humanos ou software tradicional.
Algumas poderão optar por mais um ou dois anos de crescimento privado, mas já apresentam escala, produto e mercado endereçável para considerar uma listagem em 2026–2027, caso as condições de mercado sejam favoráveis.
Próxima geração: 100M+ ARR
Na faixa de 100M+ ARR, surgem empresas como:
Clay, Gamma, Harvey, Cognition, HeyGen.
Focadas em automação jurídica, geração de apresentações, agentes de código e vídeo.
Podem não ser candidatas imediatas a IPO, mas constituem o “banco de reservas” para a década, seguindo o padrão de crescimento acelerado observado em ondas anteriores de SaaS.
O que distingue esta nova leva de IPOs de IA
Substituição de serviços humanos – muitas empresas atacam áreas tradicionalmente dominadas por consultoras, BPO ou trabalho manual qualificado, oferecendo margens e crescimento superiores.
Modelos recorrentes e consumo elástico – combinam subscrições (ARR) com modelos baseados no uso, acelerando receita à medida que a adoção de IA se massifica.
Escala pré-IPO muito maior – ao contrário da geração de 2018–2020, muitas destas empresas só entrarão em bolsa com centenas de milhões ou mais de 1B em ARR, resultando em IPOs de maior dimensão e visibilidade.
Após anos de pausa relativa nos IPOs de tecnologia (2023–2024), 2026 tem tudo para marcar o arranque de uma nova fase, com empresas de IA liderando as maiores estreias em bolsa e redefinindo o mapa global do software cotado.

