O Irão declarou no sábado que voltou a fechar o Estreito de Ormuz e avisou os navios para se manterem afastados da rota marítima, mas os Estados Unidos negaram essa versão e disseram que a via continuava aberta.
O anúncio agravou as tensões entre os dois países poucos dias depois de Teerão e Washington terem alcançado um acordo intercalar para pôr fim às hostilidades na região.
A declaração do exército iraniano e do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica surgiu quando os negociadores iranianos se preparavam para viajar para a Suíça, onde estavam agendadas para domingo conversações técnicas com responsáveis norte-americanos.
Segundo a AP, o comando militar conjunto iraniano justificou o encerramento do estreito com a continuação das operações militares israelitas no Líbano e com o que descreveu como má-fé dos Estados Unidos e incumprimento dos compromissos assumidos no quadro da trégua.
A televisão estatal iraniana afirmou, segundo vários meios, que foram planeados passos subsequentes se a agressão continuar.
Ainda no sábado, ataques israelitas no sul do Líbano mataram pelo menos 16 pessoas, incluindo duas crianças, de acordo com a AP, citando autoridades libanesas.
A Agência Nacional de Notícias, estatal no Líbano, disse que sete pessoas continuavam presas sob os escombros em Nabatiyeh e em aldeias próximas após os ataques, segundo a AP.
As forças armadas norte-americanas disseram, porém, que o Estreito de Ormuz não tinha sido fechado e acrescentaram que estavam a monitorizar a situação para garantir que permanecia aberto, segundo a Reuters.
O porta-voz do Comando Central dos EUA, o capitão da Marinha Tim Hawkins, afirmou à Reuters que o Irão não controla o Estreito de Ormuz e que o tráfego continua a fluir.
Esta nova tentativa de encerrar o estreito eleva o risco antes das conversações na Suíça, destinadas a avançar com o acordo intercalar alcançado na quarta-feira entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, após quase quatro meses de guerra.
O memorando de entendimento assinado previa o fim imediato das acções militares de Israel no Líbano e a reabertura total do Estreito de Ormuz, sem portagens impostas pelo Irão durante pelo menos 60 dias.
JD Vance adoptou um tom optimista no sábado, dizendo que as negociações estavam a avançar apesar da nova ameaça iraniana de fechar o estreito.
Em declarações à Fox News, Vance afirmou que Jared Kushner, genro de Trump, e o enviado especial Steve Witkoff estavam na Suíça a trabalhar nos detalhes técnicos do acordo e acrescentou que as conversações estavam a correr bem.
Vance disse ainda que o tráfego de petroleiros tinha recuperado de forma acentuada após o cessar-fogo e afirmou que foram transportados 16 milhões de barris de petróleo através do Estreito de Ormuz na véspera, um máximo desde antes do início do conflito.
Acrescentou que os negociadores estavam concentrados em assegurar o stock iraniano de urânio enriquecido para tornar praticamente impossível a reconstrução do programa nuclear de Teerão, sublinhando também que os Estados Unidos mantêm uma margem económica significativa caso o Irão não cumpra o acordo.
Vance disse esperar viajar para a Suíça nos próximos dias para se juntar às negociações com o Irão, embora tenha advertido que os arranjos diplomáticos com mediadores do Qatar e do Paquistão ainda estavam a ser finalizados.

